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A derrota do jornalismo esportivo

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Helvídio Mattos

Por JOSÉ TRAJANO

Helvidio Mattos, exemplo de repórter, foi demitido da ESPN, assim como haviam sido Roberto Salim e Lucio de Castro, outros grandes.

A desculpa de que a ordem veio de longe, lá dos States, é cruel e desalentadora. E coloca no ar a pergunta, o que realmente esses caras querem?

Foram anos de luta incessante, muita garra, enfrentamento, suor e criatividade.

Era uma equipe pra valer, que não tinha medo de nada. Verdadeiramente, era uma equipe. Encarava o que tivesse pela frente. E Helvidio, como o Salim e tantos outros destemidos, seguiam sempre na dianteira.

A demissão do Helvidio encerra um ciclo que vinha se fechando havia um tempo, com o pontapé na bunda dado em vários companheiros. Eu fui nessa leva. Estou triste e arrasado. Fundei o canal e vejo que o que plantamos está sendo destruído.

A saída de Helvidio Mattos é um tapa na cara do verdadeiro jornalismo esportivo.

Há outros companheiros que foram mandados embora. Peguei o querido Helvidio como exemplo. Um velho repórter merece ser e ele faz jus. Há gente muito boa ainda por lá, que certamente deve estar profundamente incomodada com a situação.

As demissões não levam em conta o talento, o caráter, o comprometimento.

Aos poucos, com frieza absurda, os manda-chuvas atuais – colocados lá por nós – vão cumprindo ordens. Não enfrentam, não colocam suas cabeças em troca, como era comum nas redações de antigamente. Estão chateados sim, porém mais preocupados com o bônus de Natal e com a marca do carro que é trocado a cada dois anos. Enfim, perdemos mais essa.

Mas como disse meu Mestre Darcy e que Juca Kfouri usou em recente livro: ‘detestaria estar no lugar de quem me venceu.’

A ESPN não acabou, nem vai acabar. O que acabou foi a nossa turma, a que ergueu aquilo lá.

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