
UMA TEMPESTADE PERFEITA
Por ROQUE CITADINI
O ano de 2015 (que ainda está há dois longos meses para chegar) pode trazer uma das maiores crises financeiras que o clube viveu. Equipara-se ao ocorrido nos anos 30, do século passado, quando chegou o profissionalismo ao futebol.
Um conjunto de ações desastrosas adotadas nos últimos anos colocaram as finanças do Corinthians no chão. Estas nuvens de erros preparam o quadro para uma tempestade perfeita com todos os tipos de danos ao clube.
A principal carga contra as finanças foi do Departamento de Futebol, que gastou o que podia e não podia. Contratações caríssimas (não falando apenas de Alexandre Pato e Elias. Tudo foi um negócio da China para todos, menos para o Timão); gastos lunáticos com salários (o do técnico, por exemplo, é de envergonhar qualquer um); comissões nas compras, vendas, empréstimos e renovações de contratos (coisa que o clube nunca tinha visto). Enfim, o Departamento de futebol funcionou como se fosse o Federal Reserve dos EUA, que imprime dólar a torto e a direito.
As receitas, que no período pré-Copa tiveram um aumento gigantesco, estimularam essa política de gastança. Passada a Copa, o dinheiro no futebol diminuiu e a tendência é que no próximo ano seja menor ainda, pois a economia não esta expandido.
A política de antecipar receitas está quase esgotada. Tudo foi usado: TV, Nike e até empréstimos de empresários de jogadores em uma situação deprimente nunca vista no Parque São Jorge.
A “liquidação” dos jogadores da Base retirou do clube a possibilidade de revelar jogadores e “fazer dinheiro”. Cada jovem atleta que é lançado “pertence” a fulano ou a sicrano. Nada, ou quase nada, o clube pode esperar das categorias de base.
A política de “parcerias” nas contratações de jogadores chegou ao colapso, e, em cada negociação de atleta, para o clube sobra pouco ou nada. A não ser um ou outro do elenco atual, nada poderá gerar caixa para o clube.
A tempestade que chega no ano que vem terá também uma agremiação com dívidas fiscais nunca vistas e (muitas) parcelas de Refis para pagar. Isso tudo sem contar um passivo trabalhista -bem escondido- que cada vez mais dá mostra de ser enorme.
Por outro lado, o clube sabia que perderia as receitas de bilheterias dos jogos na Arena e que não se preparou em nada para isso.
O ano que vem será de um clube em aguda crise financeira e que, ainda assim, precisa manter um time competitivo. Este é o desafio. E não há outro caminho que não o de reduzir despesas e lutar por mais receitas.
2015 terá uma tempestade para ninguém esquecer.
Não vai esquecer nem quem fez estas nuvens (e que tentou escondê-la até agora) nem quem não participou, mas que terá que ajudar na solução.