Por ROQUE CITADINI
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O artigo do jornalista Juca Kfouri, publicado na última quarta-feira, 29/7, falando a respeito da interferência de religiões no futebol, está provocando a maior discussão no esporte e nos jornais.
Basta darmos uma olhada no “Painel do Leitor” de hoje, na Folha, para percebê-lo ocupado por 50% de opiniões (a favor ou contra) a respeito da matéria de Juca.
O uso do futebol como meio para o proselitismo religioso é um grave erro e vem provocando preocupações à FIFA.
É sempre difícil tocar neste assunto, especialmente porque grupos evangélicos entendem que a principal missão do homem é dar testemunho de sua religião. Veem, assim, como normal que uma pessoa em qualquer ponto ou situação externe seu sentimento, glorificando a Deus, que, em sua concepção, é sempre bom, generoso e vai salvar o mundo.
Ora, desconhecem os extremistas que o mundo não é todo cristão e existem inúmeros credos voltados a outros conceitos de Deus (bom ou não), e que milhões de pessoas professam outras crenças. Acrescente-se que uma parcela significativa não acredita em religião alguma. Mas o que não sabem mesmo esses fundamentalistas é que, ao longo da história, as religiões, quase todas elas, produziram guerra, morte e desentendimento. Bastaria conhecerem um pouco mais do que um versículo da Bíblia para saberem que o Cristianismo é uma religião minoritária e que já foi esteio para todo tipo de controvérsia, agressões e até mortes, como também o foram outras religiões.
É o desconhecimento da história das religiões no mundo, como também dos conflitos que produziram, a razão pela qual a FIFA não quer no futebol essa invasão de fanatismo, seja ele cristão ou não. Isto poderia desencadear reações de outras crenças, algumas delas com mais adeptos de que o cristianismo e todas as suas vertentes, mas igualmentes dados a combater ímpios e infiéis.
O melhor que faz o esporte é ficar fora disso, respeitando as convicções de cada um, sejam católicos, muçulmanos, budistas, espíritas, do candomblé ou ateus.
É o respeito que cada um deve ter ao outro, baseados no fato de que não há um conceito apenas um Deus na humanidade, e que todos podem conviver sem um “lançando o outro no fogo do inferno”; é isto que faz progredir o mundo.
Age bem a FIFA ao não permitir que o futebol se transforme numa disputa religiosa.
Quanto aos atletas brasileiros, especialmente os que estão ricos na Europa, melhor fariam se fossem se instruir mais sobre um assunto que pouco dominam.
