Estádio é o único dos 12 do Mundial de 2014 que não cumpre exigência da Fifa
Arena são-paulina não tem hoje local adequado para abrigar os aparatos de TV; clube planeja utilizar área social para suprir carência
EDUARDO ARRUDA
PAULO COBOS
ENVIADOS ESPECIAIS A PRETÓRIA
Muitas vezes, quando um time, seu treinador ou seus jogadores tentam explicar um insucesso ou uma má fase, colocam a culpa na imprensa esportiva. Na maioria dos casos, para esconder o real problema.
No caso do São Paulo, do Morumbi e da Copa do Mundo de 2014, se o clube paulista não conseguir emplacar seu estádio como sede da competição poderá, de fato, culpar a imprensa. Ou melhor, a estrutura exigida para atendê-la.
De acordo com pessoas ligadas à Fifa ouvidas pela Folha, o projeto do Morumbi é o único, entre os 12 escolhidos, que não possui, no entorno do estádio, área adequada para comportar o que exige a entidade.
Os organizadores do Mundial exigem que haja um centro de mídia e área para o estacionamento de caminhões geradores de imagens das emissoras de TV, além de ampla área para estacionamento de jornalistas e convidados da Fifa.
Na África do Sul, todos os estádios utilizados na Copa das Confederações cumpriram rigorosamente essa determinação. Em Bloemfontein, por exemplo, o espaço utilizado equivale a pelo menos quatro campos de futebol e faz parte do complexo do estádio Free State, onde o Brasil venceu anteontem o Egito por 4 a 3.
No Morumbi, essa área, como funciona o estádio hoje, não existe. O mesmo ocorre com o Maracanã, que, porém, deve utilizar o espaço hoje ocupado pelo estádio de atletismo Célio de Barros, o mais tradicional da modalidade no país.
Em reunião no último dia 8, no Rio, a Fifa deixou claro para as sedes que o mais importante para a realização da Copa do Mundo são os estádios. E que eles serão aceitos somente se cumprirem todas as exigências feitas pela entidade.
Apesar dos problemas estruturais, como os pontos cegos, a Fifa avalia que o Morumbi poderá ser adaptado internamente para a Copa de 2014. Mas vê com muita preocupação o entorno da arena, praticamente sem espaços livres.
De acordo com a entidade, em seu projeto inicial, o Morumbi previa a construção do centro de mídia a um quilômetro do estádio, o que a Fifa considerou completamente inviável. Questionou, por exemplo, como faria o cabeamento subterrâneo dos caminhões das TVs para o estádio.
A diretoria do São Paulo, entretanto, rebate a informação. Afirma que, no projeto inicial, o espaço exigido pela Fifa ficaria a 300 metros do estádio e que contou com auxílio da TV Globo para a parte logística no que se refere aos veículos de geração de imagens.
“Tudo foi feito de acordo com o caderno de encargos da Fifa. Agora, eles deixaram claro que poderiam fazer mudanças no projeto. Fizeram para nós, e estamos acatando”, afirma o diretor de futebol do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes.
De acordo com o dirigente são-paulino, o novo projeto do estádio deve propor a utilização de parte da área do clube social para preencher os requisitos da Fifa. “Isso faz parte das nossas revisões”, disse.
O clube, que prevê R$ 300 milhões para deixar o estádio pronto para a segunda Copa no Brasil, também discute a construção de um estacionamento numa área da prefeitura para 3.000 carros, que seria administrado pelo consórcio CCR.