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Futebol é uma grande oportunidade para políticos oportunistas
26/05/2008
Talvez nenhuma outra área social forneça aos “políticos profissionais” maior visibilidade política que o futebol.
A mais das vezes vereadores, deputados e senadores elegem-se sob a plataforma de ter sido ex-presidente, torcedor-símbolo, ou ter mera ligação com determinado clube.
Acreditamos que, embora se possa discutir o caráter moral de tais medidas, a democracia acaba por relevar tais atitudes.
Entretanto, somos forçados a tomar uma posição firme quando aqueles que, utilizando-se dos atletas, acabam não só virando as costas mas, principalmente, agindo como Judas Iscariótes e traindo aqueles que os elegeram. Nossa posição é não só de repulsa, mas principalmente de ojeriza.
Na eleição de 2006 comprometemo-nos com a eleição de alguns deputados e senadores, os quais se comprometeram tacitamente com a defesa dos interesses dos atletas profissionais de futebol. Dentre eles o Deputado Vicente Cândido, que se apresentava como conhecedor das nuances do esporte e dos problemas enfrentados pelos atletas de futebol. Com base em suas credenciais lhe fornecemos apoio em sua campanha vitoriosa para a eleição à Assembléia Legislativa de São Paul, pelo Partido dos Trabalhadores.
Passados alguns meses de sua eleição, eis que não mais tivemos notícias da atuação em prol dos atletas, apenas matérias demonstrando o seu envolvimento com a possibilidade de concessão de asilo político ao russo Boris Berezovsky. E principalmente, sua indicação para o cargo de Vice-Presidente da Federação Paulista de Futebol.
Agora mais uma vez somos surpreendidos pela conduta do nobre Deputado Vicente Cândido, e de seu partido que de representação dos trabalhadores só tem o nome, tem que se arvorando na defesa do futebol, agora dos clubes, pretende a realização de seminário na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, com a intenção de enviar subsídios para a mudança legislativa em curso na Câmara dos Deputados, envolvendo os atletas profissionais de futebol.
É curioso lembrar que a palavra candidato, derivado de cândido, teve origem na Roma antiga, onde os concorrentes a cargos eletivos eram obrigados a desfilar pelas ruas trajando vestes brancas, como forma de demonstrar a pureza de suas vidas e de seus propósitos.
Desse modo, é triste e cruel a traição a que somos obrigados a suportar por aqueles que, enquanto “candidatos” já não mais demonstram correta e honestamente seus propósitos, não fazendo jus, sequer, ao nome que possui.
Ao nobre deputado Vicente fica nossa sugestão para a troca de nome, pois de Cândido vossa excelência não tem quase nada.
Rinaldo Martorelli
Presidente do Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo