Da Tribuna da Imprensa
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SALVADOR – Exatos cem dias depois da tragédia da Fonte Nova, na qual sete pessoas morreram quando um trecho do anel superior da arquibancada do estádio desabou, o Ministério Público da Bahia ofereceu denúncia à Justiça, na tarde de ontem, contra o diretor-geral da Superintendência dos Desportos da Bahia (Sudesb), Raimundo Nonato Tavares da Silva (o ex-jogador Bobô), e o engenheiro civil Nilo dos Santos Júnior, ex-diretor de Operações da Sudesb, que foi exonerado no fim de janeiro. Eles são acusados por homicídio culposo e lesão corporal de natureza culposa.
Segundo o promotor Nivaldo Aquino, que cuida do caso, Bobô e Nilo dos Santos Júnior são qualificados como co-autores da tragédia. “Eles não observaram os deveres alusivos à política de manutenção do equipamento desportivo”, explicou.
Sobre a não inclusão na denúncia dos demais citados no inquérito criminal conduzido pela Polícia Civil – o diretor-técnico de competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Virgílio Elísio, o presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Ednaldo Rodrigo Gomes, e o presidente do Esporte Clube Bahia, Petrônio Barradas -, Nivaldo Aquino alegou que a decisão foi tomada depois de uma série de entrevistas e análises de documentos.
“Concluímos que os demais não tiveram responsabilidade pelo evento danoso, pelo menos na esfera criminal”, disse o promotor.
Após a denúncia contra Bobô e Nilo dos Santos Júnior, o MP devolve a ação ao Tribunal de Justiça, que deve distribuir o processo a uma das varas criminais de Salvador nos próximos dias.
A tragédia da Fonte Nova aconteceu no dia 25 de novembro, quando o Bahia recebeu o Vila Nova (GO) em jogo válido pelo octogonal final da Série C do Campeonato Brasileiro. O estádio em Salvador estava lotado e uma parte do anel superior da arquibancada acabou desabando, deixando sete mortos e mais de 50 feridos.