Por Jota Junior
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MEU TESTEMUNHO
Terminado o clássico de domingo no Morumbi, fiz uma horinha na cabine com o amigo Mauricio Noriega e depois no térreo com o Caio, hoje comentarista da Tv Globo-SP.
Além do papo agradável com os queridos amigos, demos um tempo para que a massa de quase 50 mil pessoas deixasse o Morumbi e suas cercanias.
Quando tudo parecia calmo e em ordem, fui para o estacionamento reservado à imprensa. Por sinal, um espaço onde cabem uns cinqüenta carros e onde sempre há, no mínimo, mais de cem.
A polícia fazia o isolamento das torcidas e tudo caminhava bem.
Peguei meu carro e deixei o estacionamento para pegar a avenida Jorge João Saad, defronte do estádio. Andei uns 30 metros e de repente me vi ilhado de policiais e baderneiros, numa correria espantosa.
Cassetetes, pedras, paus e eis que explodiu uma dessas bombas caseiras bem à minha frente, ensurdecendo a todos. Milhões de decibéis nas nossas orelhas. Haja tímpanos resistentes.
Vi crianças chorando e se apegando desesperadamente aos pais. Vi senhores de idade avançada sem saber para onde ir e com dificuldade de locomoção. Alguns segundos de pânico total.
Tudo isso por conta da imbecilidade de seres que ainda não aprenderam a conviver pacificamente em sociedade. Gente que ama a violência, a balbúrdia, o conflito. Em suma, não merecem ser dotados de inteligência. Não pensam para o bem. Só para o mal.
São inimigos do futebol. Se aproveitam dos espetáculos para despejar seus instintos de irracionalidade, intimidando e se gabando dessa peculiar ignorância. Batem no peito e se orgulham de ser marginais.
E a polícia faz o que pode. Arma esquemas antes dos clássicos, separa quilometricamente as torcidas, traça planos de emergência, mas o impossível não dá para fazer. Conter exércitos do mal, não dá.
Presenciei tudo, ninguém me contou. Estive envolvido e quase virei uma das vítimas dos baderneiros das arquibancadas. Me entristeceu. Parece não haver abertura para uma reversão de quadro. Ou será que ainda há?