Por Giulio Calabria
“Absolver o antecessor é a forma que o novo rei tem de
se safar da lei futura”.
Lao Tsé
Aprovaram as contas do sujeito. E, ao fim do processo, tudo será mais ou menos esquecido, com platitudes e outros argumentos baseados no “bola pra frente”, algo muito comum no Brasil, mas também no resto do planeta.
Mas Dualib não foi o primeiro, e não será o último. Engraçado é que o Sr. Helou, patrono deste grupo de facínoras, figurava entre os votantes do tribunal do Cori.
Dualib constituiu-se, durante anos, na figura de rosto de um velho sistema que se apoderou da instituição mais popular de São Paulo, usando-a para finalidades pessoais ou grupais.
Como se trata de um homem da velha máquina de usurpação, será sempre absolvido, levando uma ou outra palmadinha para satisfazer a imprensa e a opinião pública.
O sistema absolve-se ao absolver os que se mostraram pouco hábeis na apropriação do bem coletivo.
Por isso, quanto maior o escândalo, maior é a chance de que se conceda absolvição quase plena à maior parte dos culpados.
Menos de 1% dos nazistas cumpriram penas por seus crimes.
Dezenas de policiais assassinos da época de Pietr Botha ainda ocupam cargos na África do Sul.
9 em cada 10 mutiladores de pessoas na guerra entre tutsis e hutus receberam alguma punição.
3 de cada 4 elementos envolvidos em prisões ilegais e torturas na América Latina jamais responderam a qualquer processo.
Daniel Dantas anda por aí, faceiro… Cacciola também…
O sistema ao absolver também se absolve e permite que as coisas continuem funcionando.
Um governo que realize uma verdadeira devassa no anterior seria imediatamente paralisado, num blecaute de parceiras e contratadas estratégicas.
São Paulo sempre se encheu de lixo quando alguém cismou de examinar as contas das concessionárias de coleta.
Dualib está sendo, aos poucos, absolvido para permitir que o “novo” Corinthians de Sanchez se mantenha, pois a Justiça quando rigidamente aplicada é sempre um tsunami.
