
A executiva de futebol do Grêmio, Bárbara Fonseca, foi indiciada por injúria racial após protagonizar um episódio lamentável no clássico Gre-Nal feminino, disputado no Sesc, válido pelo Campeonato Brasileiro.
Onze pessoas foram ouvidas, e quatro testemunhas confirmaram, de forma categórica, a prática de gestos racistas — incluindo a imitação de um macaco, atitude tão repugnante quanto reveladora.
Não há relativização possível.
Quem ocupa cargo de liderança no futebol — ainda mais em posição executiva — carrega responsabilidade ampliada.
Não se trata apenas de comportamento individual, mas de exemplo institucional.
Fonseca cometeu um ato incompatível com o mínimo de dignidade exigido de qualquer ser humano — ainda mais de alguém inserido no esporte, que deveria promover inclusão, respeito e diversidade.
O Grêmio, em vez de acolher as vítimas, preferiu fazê-lo com a acusada.
Em nota, o clube fala em “respeito ao devido processo legal”, “ampla defesa” e insiste na versão de que “não houve ofensa racial”.
É o roteiro de sempre.
Diante de evidências, testemunhos e investigação concluída, a tentativa de negar o óbvio soa menos como defesa e mais como conivência institucional disfarçada de cautela jurídica.
O futebol brasileiro precisa decidir de que lado está.
Ou combate o racismo com firmeza — inclusive dentro de suas próprias estruturas — ou seguirá sendo cúmplice de episódios que envergonham o esporte e a sociedade.