
Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO
Sou torcedor do Ceará Sporting Club, o maior campeão do estado.
Destaco isso para ovacionar a saída do técnico que melhor performance propiciou a uma equipe do futebol cearense em toda a história, o argentino Juan Pablo Vojvoda.
Em que pese o excepcional trabalho dos dirigentes do Fortaleza nos últimos anos – capitaneado por Marcelo Paz – que resgatou a equipe que jazia na Série C do Campeonato Brasileiro por 8 anos (para o delírio dos torcedores alvinegros do Ceará) ao ápice jamais alcançado por uma equipe cearense: o de se tornar participante frequente da Taça Libertadores da América, e que teve uma decisiva participação de outro técnico que também fez história no Leão do Pici, Rogério Ceni.
O que o técnico portenho conquistou é algo a ser escrito nas mais gloriosas páginas do futebol nacional.
Contratado em maio de 2021, Vojvoda dirigiu o Fortaleza em 310 partidas, com 145 vitórias, 77 empates e 88 derrotas.
Com ele, o Leão foi tricampeão cearense (2021, 2022 e 2023) e bicampeão da Copa do Nordeste (2022 e 2024), além de ter sido vice-campeão da Copa Sul-Americana de 2023.
Mas engana-se quem pensa que os méritos dele se resumam aos títulos.
Muito graças ao seu trabalho, o Fortaleza, uma equipe nordestina, passou a ser temida pelos times do Sul e Sudeste, algo inimaginável e inédito na história.
As frequentes campanhas vitoriosas do Leão, certamente, contribuíram para uma verdadeira mudança na geografia do futebol brasileiro.
Mais que isso, a sua recusa a abandonar o comando técnico do Tricolor de Aço perante propostas de outras equipes gigantes do país foi algo inédito e épico.
Preferiu permanecer no futebol cearense.
Nada será como antes no futebol alencarino, nordestino e nacional após a passagem de Vojvoda.
O futebol agradece e eu, como amante de esporte, lamento pela saída dele.
Já como torcedor rival, parabenizo a diretoria adversária pela gigantesco equívoco e agradeço o técnico argentino por fazer com que meu time quisesse mais, pois ter um rival forte é a melhor forma de querermos crescer.