Dois sócios do Corinthians, um deles com carteirinha de diretor (subalterno do subalterno), ingressaram com ação judicial, semelhante à do sabujo Roberto William Miguel, vulgo libanês – recusada pela Justiça, para impedir a realização da reunião do Conselho que, ainda hoje, deverá afastar Augusto Melo da presidência do Corinthians.
Para a tarefa contrataram o advogado José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, que, por óbvio, não é barato.
Quem estaria pagando a despesa?
É pouco provável que os proponentes – a quem não nomearemos por acreditarmos tratar-se de ‘laranjas’.
Em rápida pesquisa no TJ-SP – e em outros meios de investigação – é possível verificar que ambos não possuem recursos compatíveis com a empreitada, além de serem listados em recentes ações de cobranças diversas (escola do filho, condomínio, etc.).
O desespero que impõe solução financeira relevante em processos, se observadas as jurisprudências, fadados ao fracasso, expõe o que está em jogo para o grupo liderado (formalmente) por um cartola indiciado por associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado.
Para a polícia, em linguagem popular, tratado como LADRÃO.
Se o inquérito que investiga desvio de dinheiro do Corinthians aponta para a ligação de seus cartolas com o crime organizado, é possível supor que os honorários do Dr. Cardozo possam estar sendo bancados, através de terceiros, por gente desse nível.
Marcos Boccatto, representante do Agua Santa (investigado por ligação com o PCC) na diretoria do Timão, é conhecido do ex-Ministro; ambos ocuparam cargos na gestão Dilma Rousseff.
O cartola, do baixo clero do PT; o advogado, ligado à ala civilizada do partido.
Para pontuar, inexiste indício de Cardozo metido em malfeitos; o mesmo não se pode dizer de Boccatto.
Ontem, como todo bom advogado, o ex-ministro disse que Augusto Melo está sendo vítima de golpe e que o inquérito será derrubado na Justiça.
Faz parte do trabalho.
Evidentemente, nem ele acreditou,
Basta checar as declarações otimistas de Cardozo enquanto advogado de Dilma no processo de impeachment – de resultado conhecido, e as entrevistas posteriores, em que afirma saber que estava em caso perdido.
Ainda que algum juiz de primeira instância sinta-se influenciado pelo peso da defesa, tudo indica, teria a decisão revogada em instância superior, que, salvo grande ilegalidade – o que não é o caso – tende a preservar os resultados de assemblais de clubes.
Fato jurídico à parte, a simples contratação de Cardozo por duas personalidades sem capital para bancá-lo, em provável movimentação suspeita de recursos, é mais um indício da necessidade, urgente, do afastamento da indiciada quadrilha.
