O ex-juiz Sérgio Moro acaba de anunciar sua demissão do cargo de Ministro da Justiça do governo Bolsonaro.
Não porque indignou-se com a sujeirada que, por meses, ajudou a encobrir, mas pelo ego confrontado diante de sucessivas humilhações que lhe foram impostas em troca da promessa de ser indicado ao STF.
Moro envergou a espinha, notoriamente flexível (conforme comprovam mensagens publicadas pelo ‘The Intercept’), até o limite da vassalagem.
Já dizia Millôr Fernandes: “Quem se curva aos poderosos mostra a bunda aos oprimidos”.
Paulo Guedes, também despertado para a realidade, será, em breve, o próximo a pedir o boné, embora já seja um ‘morto-vivo’ transitando pelo Planalto.
Usados por Bolsonaro para dar sustentação popular ao Governo, a dupla serviu agora de moeda de troca no ‘toma-lá-dá-cá’ negociado com notórios corruptos do congresso para evitar o impeachment do presidente.
Ambos merecem a traição.
Caiu a máscara do ‘Mito’, que se dizia combatente da “Velha Política”, mas dela está se socorrendo para salvar a própria pele e a dos filhos, prepostos de seus malfeitos em décadas de sujeiradas parlamentares.
Bolsonaro abriu mão do eleitor ‘lava-jatista’ e, provavelmente, da reeleição, mas manterá ainda por algum tempo, mas não muito, a idolatria de alguns idiotas, capazes de teorias da conspiração dignas de roteiro oscarizado para defendê-lo.
Perde-se os anéis para salvar os dedos.
A Moro, neste momento, e a Guedes, em breve, restará a vitimização e o discurso de heróis alvejados pelo sistema, quando, em verdade, foram cúmplices conscientes do descalabro que ainda nos assola.
Um dia a história haverá de cobrá-los.
Se é compreensível que, num país de nível intelectual tão raso, parte da população tenha embarcado na canoa furada, não existe possibilidade, a não ser por mau-caratismo, de que alguém com mínimo de inteligência, dignidade e informação seja enganado pelo que representa, há mais de três décadas, a figura repulsiva, preconceituosa e corrupta de Jair Bolsonaro.
