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Auditoria das contas do Arena Fundo, gestor do estádio de Itaquera, revela que Corinthians não quitou dívida com a Odebrecht

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Com atraso de dois anos, o Arena Fundo FII, gestor das contas do estádio de Itaquera, teve as contas, dos exercícios 2017 e 2018, reveladas em auditoria.

O resultado, desconhecido dos conselheiros do Corinthians (até a presente data), segue nebuloso, para não dizer preocupante.

Observa-se que, além dos quase R$ 400 milhões em CIDs, o clube repassou ao Fundo R$ 109,6 milhões em arrecadações da Arena, retendo, porém, R$ 54,9 milhões, indevidamente.

Até então essa contabilidade nunca havia sido detalhada.

O relatório apresentado não esclarece, com exatidão, o destino desses recursos.

Diferentemente do que disse o presidente Andres Sanches, em reunião do Conselho, a auditoria, no item ‘Eventos Subsequentes’, que retrata o repasse integral dos CIDs à Odebrecht, observa que houve quitação PARCIAL, e não total, da dívida do Corinthians com a construtora.

Abaixo, trechos de três ‘ressalvas’ e duas ‘ênfases’, inseridas no documento:


RESSALVAS (das contas de 2017 e 2018)

Conforme nota explicativa nº 8a, essas propriedades, no valor de R$711.791 milhões em 31/12/2018 (R$ 820.993 milhões em 31/12/2017), estão avaliadas ao seu valor justo pelo método conhecido como “Capitalização de Renda”.

Nesse método foram utilizadas expectativas de receitas e despesas futuras ajustadas a valor presente que consideram premissas de receitas relacionadas a bilheterias, contratos de camarotes, contratos de cadeiras PSL, locações de espaços, publicidade, “naming rigths” e custos de administração e despesas relacionadas aos jogos de futebol.

Em nosso processo de auditoria nós não obtivemos evidência suficiente de realização das receitas, custos e despesas que foram utilizadas para determinadas projeções realizadas pela administração da Arena e por seus consultores especialistas, que pudessem suportar o valor justo.

Consequentemente, pode haver impactos no valor justo e, desta forma, eventuais ajustes contábeis poderão ser necessários, visando adequar a avaliação da propriedade para investimento do Fundo, quando da revisão das premissas de expectativa de geração de receitas futuras e os correspondentes custos e despesas fossem projetados com base no crescimento histórico.

As referidas premissas e cálculos não tinham sido reprocessadas, dessa forma, não podemos nos assegurar, quais seriam os eventuais efeitos nas demonstrações financeiras do Fundo nesse exercício

Conforme a Nota Explicativa nº 8b, o Fundo possuiu registrado em 31/12/2018, o montante de R$261.143 milhões (R$291.788 milhões em 31/12/2017), referente a Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento – CIDs, não atualizados por indicadores econômicos.

Durante o exercício findo em 31 de dezembro de 2018, o Fundo realizou vendas de CIDs, as quais geraram um resultado positivo líquido de custos de R$13.426 milhões (R$9.368 milhões em 31/12/2017).

Em nosso processo de auditoria nós não obtivemos evidências suficientes que demonstrem que os saldos registrados nas demonstrações financeiras estejam registrados pelo seu valor justo nessa data.

Consequentemente, não nos foi possível quantificar os potenciais efeitos, se houver, do valor justo das CIDs nas demonstrações financeiras do Fundo, para o exercício findo em 31/12/2018.

(NOTA DO BLOG: em 2019, o Arena Fundo desfez-se dos CIDs remanescentes, conforme adendo publicado ainda nessa auditoria, que o leitor poderá ler ao final do texto)

Conforme nota explicativa nº 6 as demonstrações financeiras, em 31/12/2018 o Fundo possui valores a receber do Sport Clube Corinthians Paulista relativos a contas a receber por direitos de rendas de jogos no estádio no montante de R$28.311 milhões.

Como procedimento de auditoria, a Administração do Fundo procedeu com o procedimento de confirmação externa por meio de envio de “carta de circularização”.

A carta resposta desse procedimento apresenta valor 0 (zero) e não foi identificado procedimento de conciliação entre as partes envolvidas, sendo assim, nós ficamos impossibilitados de avaliar, por meio de outros procedimentos de auditoria, a existência e adequação do referido saldo
a receber.


ÊNFASES

As demonstrações financeiras do Fundo foram preparadas nos pressupostos de sua continuidade operacional e no cumprimento do cronograma financeiro de amortização das suas Quotas Seniores, o qual para serem efetivamente atendidos depende da confirmação das projeções de receitas realizadas pela Administração do Fundo.

Conforme descrito na nota explicativa nº 16 esse contrato compreende a negócios relacionados à exploração da Arena pelo Clube para a realização de seus jogos e quaisquer outros eventos, sendo que no exercício findo em 31/12/2018 o Fundo pagou a esse Clube R$66 milhões (R$1.051 milhão em 31/12/2017) a esse título.

Esse contrato foi celebrado em condições pactuadas entre as partes e poderia ter sido diferente se fosse acordado com uma parte não relacionada (terceiro).


Após essas explicações, a auditoria anexou o balancete do Arena Fundo, do qual observamos os seguintes dados:

Os auditores, por conta da proximidade do final de 2019, apesar de ainda não auditados, incluíram no documento, no Item ‘Eventos Subsequentes”, as seguintes informações:

Para ter acesso à íntegra da auditoria das contas do Arena Fundo basta clicar no link a seguir:

Auditoria do Arena Fundo FII – 2017 e 2018

 

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