
A escola de Samba Gaviões da Fiel, facção pela qual este blog nunca demonstrou simpatia (a recíproca é verdadeira), tornou-se vítima, neste carnaval, da intolerância dos que são conduzidos pelos “ensinamentos” de estelionatários da Fé, auto-proclamados “pastores”, “bispos”, etc.
Grande percentual da “massa de manobra”, a pretexto religioso, indignou-se com uma representação artística da luta entre o bem e o mal, apresentada na comissão de frente da agremiação durante o desfile de carnaval.
São os mesmos que veem pecado em quase tudo, menos em homens que se dizem “de Deus”, enriquecendo às custas dinheiro e da ignorância dos mais necessitados, distorcendo palavras de livros religiosos.
Um deles, inclusive, apresentou companheira a então deputado casado, que depois viria a se tornar presidente, sendo tratado, neste cargo, como “ungido”, apesar de a vida inteira ter facilitado a ação de milícias e sobrevivido de artimanhas, alaranjadas, tradicionais de mal-feitores da política nacional.
Faltam, na vida dos “indignados”, livros, estudos e melhores companheiros de discussão.
Sobra hipocrisia, ignorância, fanatismo e capacidade de tolerância ao divergente.
A mudança dessa cultura, do atraso, demanda tempo, por vezes dura gerações, e requer não apenas a iniciativa de pessoas mais esclarecidas num seio familiar limitado, mas também da intervenção governamental na garantia de liberdades, procedimentos avançados em países relevantes da Europa, mas estagnado noutros, como o Brasil, tomado há algum tempo por políticos ligados a grupos que arrotam religião, mas querem mesmo é o desaprendizado, facilitador da corrupção e do medo imposto aos mais frágeis (intelectualmente, financeiramente, etc), vítimas fáceis de lobos em pele de cordeiro.
Os Gaviões da Fiel, que possuem razões diversas para críticas, neste carnaval nada fizeram que possa ser reprovado, apenas ousaram, em linguagem artística, dialogar com um público ainda despreparado para, por si, não pela cabeça de “influenciadores”, discutir, entender e aceitar manifestações culturais.