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Regina Duarte comporta-se como viúva Porcina

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É bem comum no meio artístico uma espécie de síndrome que atinge atores e atrizes e os fazem, por vezes, incorporar personalidades, hábitos e trejeitos de personagens, interpretados ao longo da carreira, como se fossem os seus.

Exemplos não faltam, como Heath Ledger e seu Coringa, José Mogica Marins e Zé do Caixão, entre tantos.

Tratada, em início de carreira, como “namoradinha do Brasil” – título que utiliza em referência a si própria, até os dias atuais, Regina Duarte, décadas após seu trabalho mais relevante, a excepcional criação de Viúva Porcina, amante do Coronel Sinhozinho Malta, sob a pele do brilhante Lima Duarte, parece não ter se livrado do pensamento retrógrado, preconceituoso e populista da personagem.

Ontem, em entrevista ao Estadão, sua defesa, não às qualidades – o que seria aceitável – mas aos defeitos do candidato Jair Bolsonaro, foi típica de quem, como Porcina e seu mundo de jagunços, coronéis e desprezo pelos pobres, assinaria embaixo:

“(…) quando conheci o Bolsonaro pessoalmente, encontrei um cara doce, um homem dos anos 1950, como meu pai, e que faz brincadeiras homofóbicas, mas é da boca pra fora, um jeito masculino que vem desde Monteiro Lobato, que chamava o brasileiro de preguiçoso e que dizia que lugar de negro é na cozinha”

“(…) foi quando notei o tamanho da adesão desse país ao Bolsonaro e pensei: eu sou esse país, eu sou a namoradinha desse país”

“Quando souberam que ele ia se candidatar, começaram a editar todas as gravações e também a provocá-lo para que reagisse a seu estilo, que é brincalhão, machão. Daí fica a imagem de um homem tosco, bruto”

É triste notar que, mesmo sobrevivendo num ambiente cultural, com todas as portas abertas na condição de estrela, e global, Regina Duarte escolheu o caminho da incultura, que remete a entendimentos rasos sobre assuntos complexos, que levam-na, perigosamente, a influenciar fãs menos preparados.

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