
A FOLHA de hoje traz entrevista com Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República, que, pego de surpresa (não se tratava de conversa agendada), comportou-se de maneira deplorável.
Mentiu, omitiu e distorceu.
Mas, pior do que isso, foi o tratamento dispensado à jornalista Camila Mattoso, absolutamente desrespeitoso:
O senhor utilizou, em algum momento, o dinheiro que recebia de auxílio-moradia para pagar esse apartamento?
Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente, tá satisfeita agora ou não? Você tá satisfeita agora?
Eu estou satisfeita pelo senhor dar uma resposta.
Porque essa é a resposta que você merece. É a resposta que você merece (…) O dinheiro que entra do auxílio-moradia eu dormia em hotel, eu dormia em casa
de colega militar em Brasília, o dinheiro foi gasto em alguma coisa ou você quer que eu preste continha: olha, recebi R$ 3 mil, gastei R$ 2 mil em hotel, vou devolver mil, tem cabimento isso?
“Mito” entre os que são enganados por discursos que, em verdade, destoam de seus reais procedimentos como cidadão, Bolsonaro releva-se verdadeiro apenas quando expõe, sem preparo de assessoria, sua má-educação.