
“Eu assinei, em 2007, a marca (Corinthians) para as torcidas organizadas… e não pagam nada… e assumi o tranco”
(Andres Sanches)
Em julho de 2014, dias após a final da Copa do Mundo, o ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches, em discussão travada com o Prof. Fernando Fleury, na Livraria Martins Fontes, ao ser questionado sobre promiscuidade dos clubes com as torcidas organizadas, mentiu ao negar repasse de ingressos, mas revelou:
“Eu assinei, em 2007, a marca (Corinthians) para as torcidas organizadas… e não pagam nada… e assumi o tranco”
Fleury, impressionado com a resposta, retrucou:
“Isso é pior do que dar ingresso”.
De fato, é.
Tirando o circulo de amizade de Andres Sanches, ninguém no Corinthians tinha conhecimento desse procedimento, principalmente quem, por razões óbvias, deveria ter sido informado do “acordo”, o Conselho Deliberativo e o CORI.
É fato que as organizadas apoiaram não apenas as eleições do agora parlamentar à presidência do clube, como lhe deram sustentação (e a seus sucessores), quase que militar, no poder, independentemente dos mais variados escândalos e suspeitas que pairaram sobre as referidas gestões.
Algumas contrapartidas foram tornadas públicas: renda de jogo chegou a ser revertida integralmente aos torcedores, advogados do clube atuaram, sem cobrar, em ações criminais de dirigentes de organizadas, ingressos foram, e continuam sendo (apesar das negativas da diretoria) repassados, sem contar a distribuição de cargos relevantes no Parque São Jorge, entre os quais, recentemente, o mais cobiçado, o da Diretoria de Futebol.
A marca “Corinthians” e seus “Símbolos”, doados por Andres Sanches às agremiações organizadas, certamente como parte do acordo de apoio ao grupo que dirige o clube há uma década, sem contrapartida aos caixas alvinegros, trata-se de grave afronta ao Conselho e ao CORI, que sequer foram consultados, nem informados, da operação.
Fere, também, o estatuto alvinegro.
Se existe a previsão, no art. 129, Parágrafo Único, para que o Presidente, a seu critério, permita a utilização do nome “Corinthians”, não da marca, nem dos símbolos (como aconteceu), à terceiros, há também a exigência que os usuários permitidos não visem vantagem econômica.
É publico e notório que as “organizadas” não só vendem produtos associados à marca Corinthians (com substancial arrecadação financeira), como, politicamente, também lucraram com a “parceria”.
Nos últimos meses, as referidas “torcidas”, próxima do final do acordo (os dez anos findarão em outubro de 2017) passaram a criticar a gestão de Roberto Andrade (indicado por Andres Sanches) em atitude que gerou suspeitas no Parque São Jorge.
Ao que parece, trata-se de pressão para que as regalias sejam renovadas, talvez em troca de novo apoio, antes que a presidência alvinegra troque de mãos, e estas decidam estancar a sangria da imoralidade.
ATUALIZAÇÃO:

Em contato com o Blog do Paulinho, por wathsapp, o vice-presidente do Corinthians, André Negão, confirmou a existência do acordo com as “organizadas”:
“Coisa antiga (o acordo)… vai procurar o que fazer”
Confira abaixo o ex-presidente do Corinthians afirmar que cedeu a marca “Corinthians” para as “organizadas” por dez anos:
ESTATUTO DO CORINTHIANS
Art. 3º
O patrimônio do CORINTHIANS é constituído de bens móveis e imóveis, inclusive títulos, dinheiro, créditos, direitos, troféus, marcas, nomes, símbolos, apelidos, dísticos, hinos, cotas associativas, quinhões de capital e ações de sociedades em que o clube detiver participação societária, direitos de clube formador, direitos de solidariedade, marcas e patentes de sua propriedade intelectual e quaisquer outros valores pertencentes ao clube e ações.
Art. 129
Os símbolos representativos, descritos no artigo anterior, são de propriedade e uso exclusivo do Corinthians (…)
Parágrafo Único:
Fica excluída da restrição supra a utilização do nome CORINTHIANS, com o adendo do bairro, localidade ou município que representar, por parte de outra associação, e homenagens que não visem vantagem econômica, a critério da DIRETORIA.