
Por ROBERTO SALIM
Prestem atenção: notícias de doping não dão muita visualização.
Não interessam muito. Entendem?
O sistema não quer isso. E viva a hipocrisia!
O entretenimento e as notícias vazias são mais lidas. Então vamos falar de fofocas esportivas aqui?
Não.
E peço licença para falar de doping, porque no fim de ano recebi um dossiê com muitas acusações sobre o mundo das substâncias proibidas no esporte nacional. Quem me escreveu mandou exatamente 21 anexos, com gravações, denúncias, documentos. Conversamos algumas vezes por telefone. E sabe por que ainda não foi publicado nada? Porque o autor da denúncia tem família, filho e medo. Só vou usar uma frase que ele me disse:
”É muito dinheiro envolvido no mundo do antidoping e essa gente é capaz de tudo”.
Ouviram? Leram?
Vou pedir licença para contar uma outra história que ele me contou:
”Nos jogos abertos do interior, de 2016, em São Bernardo do Campo, a agência nacional de controle de doping realizou um serviço de inteligência e resolveu escolher dez atletas de uma modalidade para serem submetidos ao exame. Mas horas antes da realização da competição, um alto dirigente foi até o local da prova e avisou os técnicos e participantes do que ocorreria…”
Vocês entenderam bem?
A acusação é essa mesmo. Houve uma traição no plano elaborado. Um delator.
E os atletas que seriam testados não competiram…
Gente do céu! Alguém dos poucos que estão lendo – já que ninguém lê nada sobre doping – acredita que só os atletas russos se dopam? Que o doping não é uma praga milionária e mundial?
Sabe o que é mais triste? O mais triste é que só os atletas – e normalmente os mais humildes – é que pagam o preço de competirem dopados. Cumprem meses e até anos de punição. Passam necessidade. E levam o carimbo de atletas marginais.
Mas e os médicos das equipes, os técnicos, os fisiologistas, os donos?
Dois ciclistas brasileiros, que eu entrevistei no começo do ano retrasado, estavam se preparando para a Olimpíada. Os dois da fortíssima equipe Funvic, de São José dos Campos. Os dois foram apanhados no antidoping no ano passado. O paraibano Kleber Ramos chegou a competir nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O jovem João Gaspar foi pego posteriormente em uma prova no Exterior. Os dois com eritropoetina.
Kleber teve depressão e está trabalhando na oficina de bicicleta do pai, em João Pessoa.
João Gaspar não me disse o que tem feito. Falei por telefone com ele na tarde desta sexta-feira.
”Sinceramente, queira me desculpar, mas não quero falar nada disso. Estou sem trabalho ainda, treinando às vezes”.
É isso.
E só para completar, João Gaspar – cujo apelido é Canibal – escreveu por whatsap:
”Se eu falar a verdade que rola atrás dos bastidores, sai até no Jornal Nacional”.
Enquanto isso o sistema determina que…