Pressionado pela crise administrativa (e financeira) instaurada no Parque São Jorge, fruto de uma sequencia de gestões desastrosas nos departamentos de futebol (amador e profissional), o presidente do Corinthians, Roberto “da Nova” Andrade, não escreveu, mas assinou, Nota Oficial, publicada no site do clube.
Nela, encontramos, entre dissimulações, distorções e promessas que se repetem (sem que sejam cumpridas) a cada ano, uma mentira inequívoca, de fácil comprovação.
Diz o texto oficial:
“Na última semana, ocorreu um fato que muito nos desagradou, mas que era inevitável: tivemos de devolver à Prefeitura a área de nosso estacionamento externo depois de um longo processo de negociações e fase judicial, que demorou ao todo mais de dez anos.”
Não é verdade.
O processo de retomada do terreno iniciou-se em 2009, após o Ministério Público de São Paulo ser motivado por denúncia de que o então presidente alvinegro, Andres Sanches, sublocava o espaço cedido, gratuitamente, pela Prefeitura, a uma Universidade (de propriedade do atual presidente do CORI, Osmar Basílio), em desconformidade com o acordo firmado, anteriormente, pelo clube.
O acordão do judiciário é claro em expor a data (07 de maio de 2009) do início do problema:
“JULGO, ainda, PROCEDENTE a demanda para reintegrar a Prefeitura Municipal de São Paulo na posse da área identificada na planta A-12 174/01, cuja dimensão corresponde a 18.401,70 metros quadrados, situada no Tatuapé, na Avenida Condessa Elizabeth Robiano e, ao final, CONDENO o réu, por consequência, a pagar indenização pelo valor correspondente ao locatício do bem, desde a data do esbulho (7 de maio de 2009) e até a efetiva desocupação, nos termos do pedido, mediante arbitramento em posterior fase de execução do julgado. Em face da sucumbência, condeno o réu no pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios fixados, moderadamente, em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa”
Ao exercer seu já famoso hábito de faltar com a verdade, em documento oficial alvinegro, Roberto Andrade deixa de atuar com decoro necessário para o cargo, com objetivo único de dissociar as irregularidades que levaram o Corinthians a perder 18 mil m² de patrimônio anexado, jogando a “culpa” no antecessor, Alberto Dualib.
Mente, novamente, o presidente do Timão ao dizer:
“Os problemas financeiros que tivemos com alguns atletas estão equacionados e sendo resolvidos. Jamais faltou transparência de nossa parte junto ao elenco e nunca atrasamos um dia sequer o salário mensal.”
Até mesmo o menos informado dos torcedores se constrange ao notar que Andrade insiste em mascarar os “direitos de imagem”, atrasados (para alguns, em oito meses), como se não fossem a maior fatia dos salários recebidos pelos principais atletas.
Por fim, destacamos o velho discurso de integração das categorias de base com o futebol profissional:
“Entramos nesse mês de junho em nova fase de integração do Departamento de Futebol Profissional com o Departamento de Formação de Atletas (Base). Estamos promovendo reuniões periódicas de alinhamento e execução do cronograma de trabalho. Nossa ideia é que cada vez mais os atletas oriundos de nossas categorias de base sejam integrados e utilizados pelo Departamento de Futebol Profissional.”
Em verdade, o clube, quando não vende seus principais valores para empresários (Matheus Cassini, Pirulão, etc.), os coloca no “esquema” do Bragantino (antes Flamenguinho, escritório de Portugal, etc.), servindo de vitrine para novas negociatas.
