Após a repercussão da estreita relação do Diretor Jurídico do Corinthians, Luis Alberto Bussab (foto), tratado pelos Sindicatos de Guarulhos como “Sr. Eleições”, e do candidato situacionista Roberto “da Nova” Andrade, com a OMNI, até então escolhida para fornecer as urnas eletrônicas, decidiu-se no Parque São Jorge pela mudança da empresa.
No lugar entrou a MICROBASE, que, recentemente, esteve envolvida em polêmica nas eleições do Santos.
À ocasião, por suspeita de fraude, o pleito foi adiado, retomado na semana seguinte, mas com nova “falha” nas urnas, teve sequencia apenas na votação por cédulas.
O jornalista Ademir Quintino foi um dos fiscais envolvidos nas eleições do Peixe, e relatou:
“Ontem, na Vila Belmiro, fui um dos fiscais do trabalho da empresa Microbase na realização da votação em urna eletrônica. Pela segunda vez, elas apresentaram problema. Não vou apontar vilões ou culpados. Mas, ontem o Internacional também elegeu novo presidente. Foram quatro vezes mais votantes que na eleição santista e o resultado foi divulgado três horas antes que o do Alvinegro. Os número são irrefutáveis e servem de alerta”
Mas não é a primeira polêmica em que a empresa esteve envolvida.
A MICROBASE foi responsável pelo primeiro fornecimento de urnas eletrônicas em eleições do TSE, em 1996, mas teve a parceria descontinuada em 2006, após a exposição do famoso relatório UNB, que escancarou falhas gravíssima na segurança do sistema:
Em síntese, o documento atesta:
“(…) ser possível ordenar os votos digitais gravados nos arquivos das urnas, quebrando a única defesa delas para garantir o sigilo do voto gravado, além doutras vulnerabilidades do software que permitiriam adulterar o resultado da apuração eletrônica dos votos”.
A repercussão foi tão grande que obrigou a própria MICROBASE a emitir Nota Oficial, jogando a culpa no TSE:
“a legislação em vigor que exige a auditoria de todos os programas-fonte do Sistema de Eleições Eletrônicas nunca foi adequada e rigorosamente obedecida pelo TSE, de modo a dar a necessária e devida credibilidade ao processo de Assinatura Digital e de Lacração dos Sistemas para as Eleições Oficiais”.
No mesmo ano, o Relatório Alagoas confirmou o que havia sido relatado pelo UNB, após avaliação das urnas da MICROBASE:
“… há fortes evidências de que o funcionamento da urna como um todo, incluindo o Registro de Voto Digital por seção e sua totalização, poderia, em princípio, ter operado fora do esperado em Alagoas, com possibilidade real de contaminação acidental ou maliciosa… Em síntese, os dados colhidos neste estudo confirmam que se deve ter pouca confiança no resultado apurado, bem como na totalização realizada.”
Em 2007, logo após iniciar a operação privada de fornecimento de urnas eletrônicas, a MICROBASE, se envolveu noutra polêmica, nas eleições da igreja Assembléia de Deus.
Com o pleito já iniciado, as urnas travaram, e, mesmo com alguns votos já inseridos, a empresa contratada gerou suspeita ao tentar consertar o material, dizendo que trocaria o software sem comprometer a apuração.
A confusão foi parar na Justiça, onde destacamos trecho da Sentença:
É desnecessário possuir primorosa inteligência para avaliar que num universo de apenas 4 mil votantes (média frequente nas eleições do Corinthians), além de desnecessária a utilização da urnas eletrônicas, o risco, evidenciado em estudos sérios de grandes universidades, além de problemas relatados em acontecimentos recentes, é, de fato, muito preocupante.
