
Impressiona a cara de pau do governador Geraldo Alckmin ao demonstrar surpresa com as denúncias de corrupção no DENARC.
Até as árvores da Praça da Sé sabem que poucos departamentos na Polícia Civil são tão corrompidos quanto o de Narcóticos.
Talvez apenas o DETRAN.
O hábito de seqüestrar traficantes e prendê-los, “extra-oficiamente”, na sede do DENARC, depois liberá-los, sem ocorrência registrada, mas com o abastecimento dos bolsos dos policiais garantidos, é pratica freqüente, oriunda de muitos anos de impunidade.
Funciona diariamente, como se fora uma empresa.
E o procedimento é bem simples.
Prende-se o traficante, levam-no para dar uma “voltinha”, período em que o preço será combinado.
Depois, o traficante entra em contato com seu advogado, informando-o que será levado ao DENARC e ficará retido até a finalização do acerto.
O pagamento é efetuado numa padaria, na mesma quadra da Delegacia, e, depois de conferido, é dividido entre investigadores e delegados.
O preso ?
Sai do local tranquilamente, conversando com que o prendeu, sabedor de que terá alguns meses para guardar mais dinheiro, antes que sua nova “prisão” seja efetuada.
Muitos conhecidos deste jornalista se perderam, alguns pelo vício, outros na criminalidade.
Quase todos, em vez de serem presos – o que seria justo- eram “achacados” por policiais corruptos de São Paulo.
E quando acabava o dinheiro ?
Iam parar na cadeia, em silêncio, sabedores que se contassem o ocorrido anteriormente, teriam destino traçado numa dessas chacinas mal explicadas, constantes nos noticiários policiais.
O “sistema”, muito bem explicado no filme “Tropa de Elite 2”, é bem mais complexo do que se imagina, porém amplamente conhecido pela sociedade, políticos e afins.
Cabe à população denunciar, sempre, tanto os traficantes, quanto os policiais que deles se aproveitam.