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Descrédito no ser humano

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‘Ninguém faz sucesso sozinho”, livro de Tuta, dono da rádio Jovem Pan, é realmente muito interessante

Mas há um capítulo, em especial, que retrata com detalhes, a figura de Milton Neves.

O título, “Descrédito no Ser Humano”, é absoltamente auto–explicativo.

Por se tratar de assunto que considero de muita relevância, para que o público tenha a real noção de como são aqueles que formam a sua opinião, peço, desde já, ao autor, licença para publicar alguns trechos.

Confira abaixo.

 “A respeito desse moço, Milton Neves, contarei uma coisa bastante desagradável, que provocou em mim uma frustração tremenda, um enorme descrédito no ser humano.

É cada uma que o ser humano faz que nos leva a ter calma, pôr o pé atrás e pensar bem.

Há muitos anos, contratamos um estudante para preeencher uma necessidade nossa e esse estudante passou a trabalhar na rádio e aprendeu a reportagem.

Foi repórter, passou muito tempo fazendo estrada e também fazia esporte na rádio.

Esse moço foi crescendo, foi tendo força, foi tendo nome, e nós sempre acreditando e lhe dando mais força.

Projetando-o o máximo possível”

A ajuda

(…)

“A rádio Jovem Pan, em que trabalhava, foi obrigada a se submeter a escalá-lo para trabalhar nos horários em que ele não estava trabalhando na TV.

Tinhamos que ceder, porque, afinal, ele ganhava mais lá.

Aos domingos, quando ele não podia trabalhar, fazíamos o possível para transmitir de outro ligar, de onde ele também pudesse fazer para a TV.

A Pan gastava dinheiro com isso, mas era importante para a carreira dele.

Então, eu pensava: “Puxa, vida, um cara que tá aqui há tantos anos e agora tem esse nome tremendo, vamos dar um crédito para ele. Vamos tentar fazer.””

(…)

“Até que certo dia começaram aqueles boatos: “o cara vai sair, não vai sair”.

Na Pan, ele tinha um programa, cujo nome, “Terceiro Tempo”, havia sido inventado por mim, mas que havia patenteado para ele e a marca lhe pertencia.

Aí me toquei: Se o homem está querendo sair toda hora, fica perigoso manter o nome (Terceiro Tempo) registrado por ele.

Então, resolvi mudar o nome.

Chegou i fim do ano, vamos mudar o nome e pronto.

Se por acaso ele sair, não ficaremos com as calças na mão.

Tem que mudar o nome de repente, de uma hora para outra, não vai ser fácil.”

(…)

Passado um tempo, realmente ele resolveu sair, e a convite de outro e tal.

E, de repente, entrou na justiça.

Quer dizer: com um negócio inteiramente absurdo.

Entrou na justiça no dia seguinte ao que saiu da rádio e já apresentando os documentos que passou cinco anos juntando para apresentar na justiça contra a empresa.

Aí chegamos à conclusão de que no dia em que ele chegou à rádio, 30 anos antes, já começou a guardar papéis.

Será que estava com boas intenções ?

Trinta anos guardando documentos da empresa para um dia entrar na justiça ?”

(…)

“Exigiu uma quantia absurda como indenização e em primeira instância já foi derrotado.

“Tenho certeza que vai perder em todas as instâncias do judiciário…”

(…)

“Não sei se a vida vai lhe ensinar alguma coisa, é possível, sei lá.

Quero que ele leve sua vida sossegado e vá bem, mas foi um momento que nos faz desacreditar  no ser humano.

Será que todo ser humano é assim ?

Trabalhar trinta anos guardando papéis para entrar na justiça.

Será que isso é certo ?

(…)

Esse moço andava com cartão de ponto no bolso para bater cartão a hora que queria.

Absurdo !

Todo mundo via isso, mas quem poderia acreditar que um cara aparentemente normal fizesse uma coisa dessa ?

Foi uma grande frustração para mim.

Quem garante que daqui a 30 anos outro não faça uma coisa dessas ?

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