Poucas vezes senti-me tão enojado quanto ao assistir a cobertura da imprensa na escolha da sede Olímpica de 2016.
Um verdadeiro papelão.
Poucos, ou quase ninguém, falaram a verdade para o público.
O Rio de Janeiro, escolhido pelos votantes do COI, só existe no DVD, e recheado de efeitos especiais.
A cidade realmente é maravilhosa.
Mas está, hoje, em condições inadequadas para receber um evento de tamanho porte.
Assim como, nenhuma cidade brasileira possui também esta qualificação.
O povo vive na miséria, escolas e hospitais não funcionam, o transporte coletivo é um caos.
Sem falar, é claro,nos gravíssimos índices de marginalidade.
Senti vergonha, como jornalista, de assistir a Rede Globo, a Record, a BAND e a SPORTV.
Era notório o constrangimento de alguns jornalistas, de bem, mas sem coragem, submetidos a falar o que realmente não pensam.
Senti orgulho da ESPN Brasil e da TV Cultura, únicos locais onde os profissionais falaram o que realmente sentiam.
A grande maioria contra a escolha, pelos motivos fundamentados acima, e alguns, democraticamente, à favor.
Senti orgulho de gente como o jornalista e amigo Juca Kfouri, que mesmo trabalhando na CBN e na FOLHA, que se posicionaram abertamente a favor das Olimpíadas do Rio de Janeiro, manteve a sua posição, com a coragem habitual, digna do mestre de jornalismo que é.
Há também o blog do José Cruz, que merece ser parabenizado, pela incessante luta para mostrar os verdadeiros números que cercaram a busca pelo evento.
Tenho que parabenizar o grande Alberto Murray Neto, que era do COB, e poderia estar pendurado em Nuzman, comemorando a imoralidade, mas preferiu ser honesto, e combateu, como pode, a falta de verdade.
Resta a todos nós, agora que a sede está definida, fiscalizar e cobrar orçamentos honestos, e o tão prometido legado ao povo brasileiro.
A luta continua, e não será nada fácil.