Por ROQUE CITADINI
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A participação da cidade de São Paulo, como uma das sedes da Copa do Mundo 2014 provoca discussão e perplexidade!
A escolha do Morumbi como local para abertura da Copa-2014 foi decidida pela Prefeitura da Capital e pelo Governo Estadual, por estarem certos de que não encontrariam dificuldades para as atender às especificações exigidas pela FIFA.
O Relatório Técnico dos Consultores contratados, que analisaram o Morumbi, é devastador. O “projeto” de Ruy Otake, alardeado pelo São Paulo, foi “demolido” antes mesmo de ser executado, e um outro precisa ser feito para que o estádio possa sediar qualquer jogo da Copa do Mundo.
O Morumbi foi escolhido pela Prefeitura e pelo Estado por algumas razões básicas de comodismo e algumas pitadas clubísticas. O São Paulo afirmava que seu projeto era construído em cima de duas premissas: atenderia as exigências da FIFA e seria realizado com dinheiro privado.
As duas coisas foram por terra e os Governos Estadual e Municipal, até onde puderam, fingiram que a situação não lhes dizia respeito.
Agora não dá mais. O risco de São Paulo não fazer a abertura da Copa é real e, mais que isso, está cada dia maior.
Embora tanto no Município, quanto no Estado, se fosse sabido que o São Paulo não teria grana para fazer uma “reforma de fundo”, esperava-se que, com uma ou outra arrumadinha no estádio, o local pudesse superar as dificuldades e mesmo assim abrir o evento.
As novas exigências da FIFA (que não são novas) exigem muito mais dinheiro e, segundo alguns técnicos, mesmo com muito dinheiro não poderá ser feito pelo Morumbi.
A Administração Estadual, que referendou o decidido no Município sobre a escolha do Morumbi, vive um momento de perplexidade e angústia, pelo inevitável custo político que terá o fato de São Paulo ficar numa posição secundária na Copa do Mundo. Alguns acham que é hora de o São Paulo apresentar projeto, orçamento e origem da grana para sua reforma. Nada disso é, ou será, possível!
Mas o pior virá depois da confirmada inviabilidade do Morumbi sediar a abertura e partidas importantes da Copa. Não há plano B para a Cidade. A construção de uma arena alternativa perdeu-se num mundo obscuro, que não leva a lugar nenhum.
O Corinthians, que deveria ser um fator relevante para viabilização de um plano de uma arena alternativa, nos últimos dois anos cometeu todos os desatinos possíveis: apoiou projetos em desacordo com normas da FIFA para uma Copa do Mundo; deu encaminhamento a aventuras projetistas aonde o único beneficiário não era o Clube; e até incentivou projetos malucos como a construção de um estádio rateada pela torcida. Basta lembrarmos dos WTorre, projeto da Marginal, Cooperfiel, arrendamento do Pacaembu etc.
A Direção Corinthiana, nos últimos tempos, se descredenciou para criar uma alternativa viável. Chegou-se até a fazer acordo eleitoral com um grupo que, em troca de uma dezena de votos, queria que seu projeto – inteiramente inviável – fosse submetido ao Conselho – e o que é pior, foi! Todos os investidores e empresas que trabalham na área entendem que seja indispensável a participação do Corinthians em um projeto exequível, pois só com um grande clube, garantindo a utilização do estádio após a Copa, é possível retorno para o projeto.
Desafortunadamente para a Cidade e para todos o Clube não ajudou em nada.
A situação agora está no seguinte pé: São Paulo poderá ter jogos secundários da Copa do Mundo, porque não pensou em equipar-se à altura para tal evento. Não adianta possuir hoteis, hospitais, teatros, restaurantes, transportes etc, se não possui um estádio em condições para a Copa do Mundo.
A Prefeitura ficará com o ônus do grave erro cometido e o Governo do Estado, que, por omissão, ficou quieto, com ela dividirá os prejuízos políticos, econômicos, sociais e esportivos.