Semana passada o Globo Esporte fez uma matéria que até Roberto Marinho teria vergonha de assinar.
Todos sabem que as partidas dos principais campeonatos de futebol do país são disputadas nos meio de semana, às 22h, por imposição da emissora.
Um horário absurdo e que torna a vida do torcedor comum, aquele que trabalha, ainda mais difícil.
Eis que a Globo começa a reportagem mostrando a dificuldade que as pessoas têm em retornar para sua casa após a meia noite.
Sem ônibus suficientes e nem metrô disponíveis.
Pensei que enfim a emissora faria uma confissão de culpa.
Enganei-me redondamente.
Jogaram a responsabilidade para a administração do metrô.
Entrevistado, o Secretário de Transportes, José Luiz Portela, esclareceu a verdade.
Disse que o metrô tem seu horário de funcionamento e precisa pelo menos de três horas para executar serviços de manutenção, ficando assim em condições de ser utilizado no dia seguinte.
Falou ainda que não pode comprometer o serviço, que atende milhões de pessoas, para beneficiar um pequeno grupo.
Não tenho procuração para defendê-lo, mas é evidente que suas palavras são coerentes.
A Rede Globo tentava eximir-se de culpa, em uma matéria claramente encomendada.
Jornalismo a serviço da casa.
A emissora se tivesse interesse, e não pensasse apenas na audiência da novela das oito, resolveria o problema em apenas uma canetada.
Na verdade, eles não estão nem ai.
Lucram com a partida e ainda utilizam o sofrimento do povo como pauta para o jornal do meio dia.
Triste realidade.
