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Quando o combinado não sai caro, nem se descumprido

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Da “CORINTHIANOS”, do Orkut

Por PAULO FERREIRA (SHADOW)

Talvez não seja um exercício simples aceitarmos que individualmente somos feitos de idiotas no nosso dia-a-dia, mas, ainda assim, certamente é algo muito mais simples do que esperarmos esse grau de clareza em massa.

O indivíduo pode até não ser tão direto em reconhecer que é feito de idiota, mas em seu íntimo, em diversas situações, acaba tomando as providencias cabíveis para evitar que o fato se repita, salvo em casos onde se vê obrigado a se sujeitar e lidar com engodos inevitáveis, o que muitas vezes chamamos de “jogo de cintura” e que não necessariamente significa que o sujeito não esteja ciente e se mordendo de raiva por isso.

Já em massa a coisa é mais complicada, se há uma verdade na frase “duas cabeças pensam melhor que uma”, obviamente há uma verdade ainda maior oculta por trás de tal frase que é o fato de que duas cabeças pensam melhor que uma SE ambas tiverem capacidade de raciocínio acima de determinado grau, de forma que uma acrescente a outra ao invés de atrasar.

Pode parecer estranho, mas não é mais difícil enrolar um conjunto de pessoas do que um único cidadão ingênuo.

Por mais humilde que seja, depois de repetidas situações uma pessoa é capaz de perceber que as coisas parecem mais complicadas pra ela do que para os que estão a sua volta, já em massa a coisa é diferente, se num grupo de milhões tiverem centenas com a percepção de que estão sendo embromadas, ainda restam milhões que vão estar olhando em volta e notando que o cara a seu lado está na mesma barca que ele, de modo que algo que possa estar incomodando alguns poucos insatisfeitos nada mais é do que uma situação natural para a maioria, então tudo bem!

Pra colocar o Corinthians no meio da história é preciso falar de uma diretoria, que se teve um grande mérito em 2008, foi o de saber lidar com a ignorância alheia, e pior, ignorância em massa. 

Na verdade não houve uma grande novidade no método aplicado, apenas um aperfeiçoamento do modelo antigo.

A longa gestão Dualib já havia ensinado que para um clube de futebol a crise só existe na ausência de resultados e a administração Andrés Sanchez fez uso brilhantemente dessa máxima no ano em que o Timão teve a missão mais fácil e garantida de toda a sua história.

Foi feito apenas o mínimo que se esperava, o “plus” não veio quando deixamos escapar a Copa do Brasil, mas isso não afetou o torcedor que já havia adentrado 2008 doutrinado sob a frase que de tanto ser repetida acabou se tornando verdade: “o que interessa pro Corinthians em 2008 é a série B”.

Com a meta que foi passada ao torcedor como sendo a ideal sendo alcançada em campo, os engodos foram todos sendo absorvidos.

Não importa se uma administração que começou a temporada alardeando que transformaria um rebaixamento em mina de ouro não atingiu seu objetivo de diminuir significativamente a dívida, até porque, pra isso bastou jogar ao público o também engodo de que a dívida teria diminuído um pouquinho… Agora vejam bem: a massa se contentou com a “suposta” diminuição de um pouquinho da dívida, não precisaram nem inventar que diminuíram muito.

Entre diversos casos, tivemos lá por volta de um no atrás, a fantástica fábula de que o Timão pediria 100 milhões pela transmissão da série B, alguém lembra disso ou de tão absurdo virou algo surreal?

E quem não se lembra do mágico mês de Maio, que seria quando o dinheiro começaria a cair na conta e os reforços de peso chegariam? Mas hoje quem liga? Afinal o Corinthians cumpriu sua missão mesmo sem os tais reforços ao realizar o que qualquer criança de 5 anos imaginava que o clube fosse fazer nessa temporada, que era voltar pra série A.

Ah! Verdade… Não vamos esquecer que pintaram um quadro de como se o acesso tivesse sido conquistado de forma invicta com uma média de goleadas de 6 X 0 por rodada.  

Conclusão:

A maiorias das pessoas não se incomodam em serem feitas de idiotas se o objetivo final, ainda que seja uma conseqüência natural, for alcançado.

Dane-se a palavra dada e não cumprida, mesmo que a intenção jamais tenha sido a de cumpri-la realmente, confiando apenas na memória seletiva do povo.

Se no final der certo, poucos vão lembrar mesmo e desses poucos menos ainda se importarão, já se der errado, aí deu errado mesmo e a bronca é geral, de modo que se preocupar com questões passadas seria o menor dos problemas.

Numa sociedade onde o fornecedor não tem o material em mãos e mesmo assim promete que vai entregar, ou o SAC da TV a cabo te dá uma previsão de volta do sinal, mesmo sem terem a mínima idéia de um horário real, não é de se espantar que a maioria da torcida consagre a atual diretoria do Sport Club Corinthians Pta. numa administração marcada por jogar palavras ao vento e criar expectativas que vão caindo no esquecimento a cada nova expectativa lançada sem a real intenção de se fazer acontecer.

Como disse Shakespeare: “As palavras são como os patifes desde o momento em que as promessas os desonraram. Elas tornaram-se de tal maneira impostoras que me repugna servir-me delas para provar que tenho razão.”

Eu como acho que o combinado não sai caro somente se for cumprido, de preferência sem ter de ser lembrado ou cobrado, e não gosto de populismo, nem de ser feito de trouxa pelo fornecedor que promete a entrega sem ter o material, pelo atendente da TV a cabo que me dá um horário que não vai cumprir, ou pela diretoria que joga palavras ao vento esperando que a expectativa criada seja esquecida conforme os dias passam, ainda concluo o texto com mais uma citação, dessa vez de Henry Miller:

”Se você não conseguir fazer com que as palavras trepem, não as masturbe.”

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