O “Caso Tardelli”, a cada informação divulgada, compromete ainda mais as pessoas já citadas pela imprensa.
Não há santos nessa história.
O São Paulo tem que explicar essa prática de presentear dirigentes da Federação Paulista.
É uma ação abominável e que aproxima de maneira inadequada o clube e o órgão que deve discipliná-lo.
Erra quem presenteia e também quem pede o presente ou aceita ser presenteado.
Juvenal Juvêncio tem freqüentemente agido dessa maneira com o vice-presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, que sempre foi muito ligado a Eduardo José Farah.
Vale lembrar que foi Farah que liberou R$ 2,8 milhões de um fundo pertencente aos clubes de São Paulo para que o Tricolor colocasse os amortecedores do Morumbi, exigidos na reforma.
Dinheiro esse que o Tricolor nunca mais devolveu.
Além disso, Reinaldo Carneiro Bastos é conhecido nos bastidores do futebol como dirigente de “esquema”.
Recentemente foi acusado de pressionar árbitros para manipular resultados, o que torna a relação de Juvenal Juvêncio com ele ainda mais intrigante.
Difícil saber se o árbitro estaria realmente envolvido em um esquema de manipulação, até acredito que não, mas ao tomar conhecimento dos fatos descritos passo a me dar o direito da dúvida.
É o que sempre diz o Juca, não basta a mulher de Cesar ser honesta, tem que parecer honesta.
No mínimo o “agrado” de Juvenal Juvêncio foi inadequado em um momento de decisão.
Há margem para se duvidar de coisa pior.
Vamos aguardar para ver o que dirão Ricardo Teixeira, Marco Polo Del Nero e o GAECO.
O título do São Paulo, pela campanha, empenho dos atletas e trabalho de Muricy Ramalho foi justo e acredito viria independente de qualquer ação de bastidores.
Mas, sem dúvida, não será lembrado com o brilho de outras ocasiões.
Mesmo que o delito não tenha sido cometido ficará sempre a impressão de que algo estava para acontecer.
E, por azar, o árbitro que substituiu Tardelli cometeu o erro que facilitou o caminho Tricolor para a conquista.
Juvenal Juvêncio, que costuma acertar tanto, dessa vez cometeu um erro imperdoável e que será lembrado por muitos anos.
Profundamente lamentável.