Por JUCA KFOURI
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Desta vez, a arbitragem sorriu para o Inter no começo do jogo.
Se em La Plata teve um pênalti generosamente marcado a seu favor bem convertido por Alex, no Beira-Rio viu a arbitragem errar ao anular por impedimento um gol legal do Estudiantes ainda no primeiro tempo.
Primeiro tempo de bom futebol, de jogadas refinadas do ataque colorado, embora pouco eficazes, e de muita aplicação da equipe argentina.
Mas sem gols, pelo menos sem gols validados pela arbitragem uruguaia, apesar de o Inter ter criado pelo menos duas chances preciosas.
O mar vermelho proporcionado pelos sócios do Inter que lotaram o estádio permaneceu agitado enquanto a bola rolou no 0 a 0.
Aos 18 do segundo tempo, no entanto, Tite tirou Andrezinho e pôs Gustavo Nery em seu lugar, coisa que, aliás, os telespectadores da Globo queriam.
Confesso que gelei.
E sem que Nery tivesse a menor culpa, dois minutos depois, o Estudiantes fez seu gol, o que empatava a decisão.
O Beira-Rio, com mais de 50 mil torcedores, só ouvia a pequena torcida visitante.
O coração colorado parecia ter ficado em La Plata.
E o pincha estava inteiro em Porto Alegre.
Alex, o melhor jogador em atividade no país, estava irreconhecível e acabou substituído por Taison, aos 33.
Desábato era um gigante na defesa e Verón outro no meio de campo do time argentino.
O jogo terminou com a vitória platina e com os brasileiros reclamando um pênalti que não aconteceu em Nilmar.
Veio a prorrogação.
Aos 7, extenuado, Verón teve de sair.
Aos 11, por muito pouco Bolivar não fez o gol do desafogo, salvo pelo goleiro.
No começo do segundo tempo da prorrogação, Magrão, morto, deu lugar a Sandro.
Dos brasileiros, disparado, o portenho D’Alessandro era o melhor em campo.
Aos 8 minutos, a explosão!
Numa bate-rebate impressionante na pequena área argentina, Nilmar acabou concluindo para o fundo da rede.
Era o gol do título.
A cantoria entusiasmada invadia a madrugada gaúcha.
Na sétima edição da Copa Sul-Americana, o Inter ganhava o primeiro título para o futebol nacional.
E, provavelmente, inscreve o torneio no calendário brasileiro.
Porque foi uma conquista tão dramática que acaba por dar um gosto que os torcedores de quaisquer outros times gostariam de sentir.
