Por Armando Nogueira
Valdivia meu caro.
Não preciso conhecer-te pessoalmente para tomar a liberdade de escrever-te este bilhete.
Fiquei sabendo que o pau anda cantando nas tuas canelas e que tu estarias tomando essas agressões como coisa pessoal.
Talvez alguns jogadores que não vão com a tua cara.
Pode até ser, mas não esquenta.
Posso te garantir que a bronca é antiga.
Mas, sou capaz de jurar que a birra é contra o drible.
Os medíocres detestam o drible.
Quando o futebol apareceu no mundo se chamava “jogo do drible”.
Por ai já se vê que a intenção dos inventores era fazer desse esporte um passatempo cheio de graça.
Acontece que o drible não é como o sol que nasceu para todos.
O drible acabaria se tornando um privilégio.
Só os eleitos merecem o dom que, por sinal, os deuses te concederam.
O drible é uma invenção que nasce do coração.
O driblador é um poeta.
Quando um brucutu te dá um pontapé, ele não está agredindo apenas e tão somente o cidadão Valdivia; ele está afrontando toda uma dinastia que foi canonizada pelas canelas de Stanley Mattews, de Garrincha, de Zico, de Júlio Botelho, de Maradona e de tantos outros apóstolos do evangelho do drible.