
Ontem, ao protagonizar mais um belo gol do Flamengo, o uruguaio Arrascaeta somou-se às merecidas homenagens que Oscar, o “Mão Santa”, tem recebido após sua morte.
Retirou a camisa nº 14, posicionou-a cuidadosamente no gramado — com a numeração exposta —, pegou a bola do jogo e a arremessou como se estivesse em uma quadra de basquete.
Tocante.

Em vez de compreender o óbvio — de que não se tratava de tentativa de burlar a regra, muito menos de prejudicar o adversário —, o árbitro Flavio Rodrigues de Souza aplicou-lhe cartão amarelo.
Cabe agora ao STJD revogar a punição.
É improvável que o faça, sobretudo se houver oposição de adversários, sob o argumento de que o regulamento deve ser seguido de forma igual para todos — ainda que, nitidamente, este seja um momento de excepcionalidade.
Seria um gesto simpático — e que se somaria às reverências a Oscar — se as equipes, de maneira unânime, solicitassem ao órgão julgador a retirada do cartão de Arrascaeta.
É esperar demais da cartolagem?
De qualquer forma, Arrascaeta, uruguaio de nascimento e brasileiro de coração, terá o bonito gesto eternamente lembrado.
Assim como quando Viola, pelo Corinthians, marcou no Pacaembu — sob os olhos deste jornalista, então torcedor — um gol contra o Guarani e, na sequência, pegou uma bandeira do Brasil no banco de reservas para dar a volta olímpica ao som do “Tema da Vitória”, em homenagem a Ayrton Senna — tão grande quanto Oscar — que havia morrido dias antes.
Detalhe: não recebeu cartão amarelo.
O que é belo no futebol não pode ser obstado pela arbitrariedade.
Deve haver, assim como existe nos lances interpretativos de jogo, também a interpretação do árbitro quanto à intenção do atleta em momentos como as comemorações de gol.