
Na maior cara de pau, Gianni Infantino resolveu posar de pacificador do mundo — logo ele, presidente de uma FIFA imunda que, em passado recente, teve cartolas, quando não banidos, presos por corrupção.
Ao condenar boicotes e defender o “perdão” à Rússia, o cartola age por pura conveniência.
A relação promíscua da Fifa com regimes autoritários — hoje nos países árabes, amanhã onde houver dinheiro — desmonta qualquer discurso moral.
Mas nada é mais simbólico do que a premiação da entidade a Donald Trump pela “paz”.
Com esse gesto — novamente defendido pelo dirigente —, Infantino revelou-se, aos poucos, àqueles que ainda duvidavam, igual — ou talvez pior — que seus antecessores.
O objetivo agora é estancar, logo no início, qualquer discussão sobre a possibilidade de boicotes à Copa do Mundo.
Na verdade, o que inviabiliza o motim não é apenas a desfaçatez de Infantino, mas os interesses financeiros que regem o futebol.
Um jogador de Copa é valorizado acima de sua média natural e, por consequência, muita gente ganhará dinheiro — devido e indevido — com as negociações posteriores.
É dinheiro, apenas isso.
Uma lástima, sobretudo diante do simbolismo que representaria as principais seleções do planeta aderirem, desde já, à inviabilização de um Mundial marcado pelas diretrizes criminosas do fascismo.