O Corinthians voltou a descumprir regras do próprio estatuto ao atrasar a divulgação de suas demonstrações contábeis.
Segundo documento interno, as últimas informações financeiras publicadas referem-se a outubro de 2025, enquanto os dados de novembro seguem sem divulgação, em desacordo com o parágrafo 2º do artigo 122 do Estatuto Social, que obriga a publicação mensal das demonstrações financeiras.
Além disso, toda a contabilidade referente ao ano de 2025 foi apresentada sem o parecer de auditoria externa independente, violando também os artigos 122 e 123 do estatuto do clube, que exigem essa análise antes da divulgação pública.
O ‘verificador’ interno é Haroldo Dantas, presidente do Conselho Fiscal, advogado de Osmar Stabile, além de investigado por suposta ligação com o PCC.
Há ainda falhas graves na elaboração dos documentos, como o uso incorreto de termos técnicos.
Em fevereiro de 2025, por exemplo, a Demonstração de Resultados classificou o resultado como “déficit acumulado”, quando, na prática, tratava-se de um superávit — erro que levanta dúvidas sobre a confiabilidade dos números apresentados.
Outro ponto que chama atenção é a assinatura dos balanços por Mauro Túlio Garcia, técnico contábil inscrito no CRC-SP, mas que, segundo o documento, é desconhecido dos profissionais que atuam diariamente no departamento contábil do clube.
Sequer frequenta o Parque São Jorge.
Quem aparece regularmente no setor é Rafael, seu sócio no escritório terceirizado Opinião Assessoria, responsável pela prestação dos serviços contábeis, mas que não assina os relatórios oficiais — situação considerada, no mínimo, estranha.
Túlio Garcia é sócio de Cristian Fittipaldi.
Diante do conjunto de irregularidades — atraso na divulgação, ausência de auditoria, erros técnicos e assinaturas questionáveis —, o cenário reforça a falta de transparência na gestão financeira do Corinthians, ampliando a desconfiança de conselheiros e torcedores sobre a real situação econômica do clube.
Há previsão estatutária inclusive de impeachment do Presidente para as desconformidades apontadas.
.As contas do Timão estão sob responsabilidade do diretor Emerson Piovesan, preposto de Paulo Garcia — inclusive na Kalunga —, mas, na prática, seguem os ditames de Rozallah Santoro, que só não ocupa o cargo formalmente porque há impedimento estatutário para ex-dirigentes retornarem a funções administrativas após afastamento recente.
