Era previsível — e foi apontado por este blog —, desde que Osmar Stabile assumiu a presidência do Corinthians, a demissão de Fabinho Soldado, ex-olheiro do Flamengo alçado a “executivo” de futebol pela gestão bandida de Augusto Melo.
Pouco antes do Natal, anunciou-se o desligamento — tratado como “de comum acordo”.
Ele só não ocorreu antes porque Stabile, orientado por quem lhe dá as cartas, preferiu aguardar o desfecho da Copa do Brasil.
O presidente do Corinthians disse a este jornalista, uma semana antes de assumir o cargo, ainda no período interino, que Soldado era “homem de Augusto” e não permaneceria.
Erram imprensa, influencers e torcedores ao tratá-lo como “grande profissional”.
O ambiente do futebol era permissivo com alguns poucos e cercado de suspeitas sobre diversas operações que teriam ajudado a engordar contas bancárias de agentes, cartolas e até subalternos — alguns casos já noticiados neste espaço.
Há, na Polícia Civil, investigação sobre um estranho aumento de 100% no salário de Fabinho, concedido quando já se sabia que o impeachment de Augusto era inevitável.
Existem suspeitas, para alguns, de possível repasse ao cartola.
Procedimento idêntico ao adotado com empresas de segurança, funcionários da contabilidade e outros personagens umbilicalmente ligados ao então presidente.
É possível criticar que a dispensa de Soldado tenha sido pressionada por conselheiros ligados a Stabile.
A queda era um jogo de cartas marcadas.
Mas é necessário pontuar, a bem da verdade, que Soldado está longe de ser santo — e também distante da competência que lhe é atribuída.
