
Ao definir as diretrizes do reconhecimento facial a ser utilizado no fornecimento de ingressos para jogos do Corinthians, a diretoria do clube optou por uma postura conservadora.
E isso não é um elogio.
Significa não ter coragem de mudar o que precisava ser alterado.
Enquanto torcedores comuns, ao comprarem suas entradas, não poderão repassá-las a terceiros — o que, por óbvio, é correto —, o mesmo não se aplicará aos conselheiros alvinegros.
A moleza continua.
Cada um terá direito a um ingresso gratuito, além de substancial desconto para outros quatro, podendo, contudo, repassá-los a bel-prazer.
Um estímulo ao cambismo.
Para as organizadas, seguirá o privilégio de ingressos reservados nos setores mais baratos, escanteando a possibilidade de os demais torcedores adquirirem entradas nesses locais.
Com um agravante.
Stabile cumprirá promessa de Augusto Melo: a de retirar as cadeiras no setor oposto ao das facções, para que também sejam acolhidas ali — em desprestígio ao patrimônio do clube, à estética da Arena e eliminando novas possibilidades ao torcedor que não dá calote — como ocorre com as organizadas — no plano Fiel Torcedor.
Tomara, ao menos, que o presidente interino do Timão não cometa essa besteira antes do jogo da NFL, que será realizado em Itaquera.
Por contrato, o estádio deve ser entregue com os assentos em seus lugares.
Retirá-los antes disso seria torrar dinheiro indevidamente; fazê-lo depois, populismo para agradar gente que, há décadas, frequenta jogos do Corinthians subsidiados pelo clube.