
Nos primeiros dias de gestão, em fevereiro de 2024, Augusto Melo, presidente do Corinthians, participou de fraude ao assinar documento inserindo nome de intermediário que não intermediou no acordo com a Vai de Bet.
O fato, por si, seria motivo para impeachment.
Mas existem outros, para ficar apenas neste caso, que sugerem participação na divisão dos R$ 25 milhões que sairiam dos cofres do clube para contas de laranjas – algumas delas controladas pelo crime organizado.
13 meses depois, apesar da polícia de São Paulo e do GAECO explicitarem as falcatruas – agora investigadas também em CPI – o cartola segue no cargo.
Por que?
Durante meses, Romeu Tuma Junior, presidente do Conselho Deliberativo, sentou em cima de requisição de impedimento até ter a certeza de que suas vantagens não seriam atendidas pela diretoria.
Pouco lhe importava o futuro do clube ou a convivência com os marginais que, desde o primeiro dia, frequentam o gabinete do presidente.
Desde a traição, Tuma Junior vem tentando retirar Augusto Melo do cargo.
A ‘esperteza’, então, foi substituída pela incompetência.
Em recente reunião, que aprovou o requerimento para que seja realizada a votação do impeachment, em vez de agir com celeridade, o ex-delegado pendurou a melancia no pescoço e, em meio a desnecessários discursos, além de uma burra tentativa de escolha por aclamação (da qual passou o vexame de ter que voltar atrás), conduziu os trabalhos até horário inviável à sequência dos procedimentos.
Faz 19 dias que houve a suspensão.
Não há previsão de retorno.
Novamente, por que?
As versões mais difundidas em Parque São Jorge transitam entre a tentativa de viabilizar a próxima reunião num Batalhão de Polícia Militar – devido a evidente infestação do crime organizado dentro do clube – até a espera pelo relatório final da polícia nas investigações da Vai de Bet.
A realidade é outra.
Tuma decidiu que deveria, na condição de empavonado, conceder entrevistas para explicar aos corinthianos as razões de Augusto Melo estar sofrendo processo de impedimento.
Quando o ego for saciado, talvez a reunião de impeachment seja agendada.
Enquanto isso, o Corinthians segue assaltado, servindo de quintal para bandidos e torcedores ‘organizados’.