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Oito dias antes das eleições, Corinthians cedeu negócios da Arena e do CT para Wagner Abrahão

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Alexandre Husni e Andres Sanches

Ontem, o Blog do Paulinho publicou Sentença e vídeo do julgamento em que foi absolvido em ação promovida por Wagner Abrahão, notório parceiro de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, citado 48 vezes em relatório anexado na CPI do Futebol.

Blog do Paulinho vs. Wagner Abrahão, parceiro da CBF e do Corinthians (com imagens)

O empresário se enfezou com matéria em que revelamos parceria firmada com o Corinthians para venda de pacotes de viagens junto com ingressos de jogos do clube, justamente o ramo de atuação em que foi acusado de dividir dinheiro com a cartolagem da Casa Bandida.

Porém, descobrimos há pouco, que a amplitude do negócio era muito maior.


Movimentações estranhas

No dia 11 de novembro de 2020, estranhamente, o então mandatário Andres Sanches licenciou-se da Presidência do Corinthians, que passou a ser ocupada pelo vice, Alexandre Husni – que, atualmente, preside o Conselho Deliberativo.

Coincidentemente, no mesmo dia, Wagner Abrahão, através da ‘ASA Participações Ltda’, ingressou no Contrato Social da empresa ‘PRESC Viagens e Turismo Ltda’, assim como era gestor da ‘ASANKA Participações Ltda’, ambas sediadas no Rio de Janeiro.

Nove dias após, oito dias antes das eleições do Corinthians, Husni, com carimbo de ‘vice-presidente’, embora exercendo a Presidência, sob o testemunho de Alex Watanabe – funcionário de Luis Paulo Rosenberg – assinou contrato com estas empresas, cedendo grande quantidade de negócios da Arena de Itaquera e também do CT da Ayrton Senna.

Pela PRESC e pela ASANKA, rubricou Bruno Vieira de Castro, sócio de Wagner Abrahão nestes e em diversos outros CNPJs.

O prazo do contrato é de 36 meses, terminando quase junto com as próximas eleições do Timão; a renovação não é automática e se faz necessário aditamento assinado.

No dia 30 de novembro de 2020, dez dias após o fechamento do acordo, Husni deixou a presidência do Corinthians.


Husni e Andres Sanches

Se Wagner Abrahão trazia consigo a fama de facilitar a vida de cartolas, Husni e Andres Sanches, juntos, também tinham história para contar.

Em 2006, o advogado foi citado pelo então presidente do Corinthians, Alberto Dualib, em grampo da Polícia Federal, na condição de intermediário de acertos com juízes de direito.

Quinze anos após, em 2021, o assunto voltou à tona.

Inquérito do Ministério Público Federal investigou Husni e Andres Sanches por suspeita de compra de sentença de magistrado; na mesma peça, havia a confissão do advogado, agora Presidente do Conselho do Corinthians, de negociação de decisão judicial para outro de seus clientes.

Detalhes, com documentos, podem ser conferidos no link a seguir:

Inquérito do MPF investiga compra de magistrados por cartolas do Corinthians – (blogdopaulinho.com.br)

Em meio a segredos deste porte, não seria de se estranhar que Sanches e Husni articulassem outros negócios em possível sociedade.


Os negócios de Wagner Abrahão com o Corinthians

Antes de seguir a leitura, recomendo ao leitor, vivamente, que assista ao vídeo do julgamento do Blog do Paulinho; nele, além da revelação de que Wagner Abrahão foi citado 48 vezes na CPI do Futebol, nenhuma delas de maneira elogiosa, há também trecho de matéria da Record TV detalhando a proximidade e as suspeitas da relação dele com Ricardo Teixeira:

Abaixo os negócios ligados à Arena de Itaquera que Alexandre Husni, obviamente acertado com Andres Sanches, cedeu às empresas PRESC e ASANKA.

A lista é extensa:

46 eventos no Oeste Superior; outros 46 no Oeste Superior (com open-bar); 46 no Camarote Fiel Torcedor; 46 no Business Lounge + Master; 46 no setor Visitante; 46 no Visitante (open bar)

Bate-volta; Hotel da delegação; voo e hotel com a delegação (nacional e internacional); fretamentos (nacional e internacional); fretamento + delegação (nacional e internacional)

Remuneração do Corinthians

Estranhamente, a remuneração acertada com o clube não consta no contrato principal, nem nos primeiros e segundos anexos; os valores foram discriminados no terceiro anexo.

O Blog do Paulinho não teve acesso a este documento.

Nos balanços referentes aos anos de vigência do contrato, existe apenas a soma total de recebimentos provenientes dos licenciados, incluindo lojas ‘Poderoso Timão’ e outras operações, o que inviabiliza a valoração individual dos recursos.

Pelo acordo do Corinthians com a CAIXA, existe a obrigatoriedade de repasse, para o Arena Fundo FII, de qualquer rendimento ligado ao estádio de Itaquera, incluindo o dinheiro dos negócios fechados com Wagner Abrahão.

Durante os três anos deste contrato, segundo o balanço do Fundo, nenhum valor foi repassado pelo clube.

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