
“Falei com Andres dos nossos números de remuneração”
(Luis Paulo Rosenberg)
A 16ª Vara Civil de São Paulo, por determinação do juiz Paulo Bernardi Baccarat, determinou a condução coercitiva de Caio Campos, CEO do estádio de Itaquera, em ação promovida por José Luiz do Prado, ex-funcionário da Prefeitura de São Bernardo do Campo, contra o Corinthians.
Braço direito de Luis Paulo Rosenberg, o dirigente, apesar de intimado, não compareceu ao julgamento.
A história é a seguinte.
Em 2013, determinações do MP-SP estavam travando o início das obras do estádio de Itaquera; o Corinthians, por intermédio do então vice-presidente Luis Paulo Rosenberg, contratou os serviços de Prado, acostumado a lidar com essas situações.
A contrapartida acertada, em vez de acordo financeiro, foi ceder-lhe, assim que a Arena estivesse inaugurada, um espaço no local para que pudesse tocar, sem custos, uma escola de circo preparatória a novos artistas.
Em tempo recorde, Prado idealizou o TAC (termo de Ajustamento de Conduta), em que o clube comprometia-se a realizar R$ 12 milhões em contrapartidas à sociedade, aceito pelo Ministério Público em troca da liberação das obras.
O Corinthians, porém, não honrou as promessas.
Descumpriu o TAC (razão pela qual foi condenado a indenizar a Prefeitura) e também o acordo com seu idealizador.
Prado pleiteia R$ 1 milhão por dano material, além de danos morais (a serem calculados).
Emails trocados por ele com Luis Paulo Rosenberg podem ser decisivos.
Destacamos os principais:
- 24 de fevereiro de 2011
Luis Paulo Rosenberg marca reunião presencial com José Luiz do Prado no laboratório Fleury, localizado à rua Cincinato Braga, ou seja, fora do ambiente do Corinthians e dos respectivos escritórios.
Foi, aparentemente, o único encontro presencial entre as partes.
Depois disso, somente conversas por emails.
Daí por diante, Rosenberg designou para tratar do assunto seu braço direito, Caio Campos, gerente de marketing do Corinthians.

- 28 de fevereiro de 2011 (quatro dias após)
Mensagem de Rosenberg a Prado contém a enigmática frase: “Falei com Andres dos nossos números de remuneração. Sendo através de uma empresa, está confirmado, a partir do dia do trabalho, você com um da equipe, 60 dias depois, mais um e no início do ano o terceiro”.
Vale lembrar que, em fevereiro de 2011, Andres Sanches era presidente do Corinthians e Luis Paulo seu diretor de marketing, ambos sem direito, estatutariamente, a qualquer tipo de remuneração.

Houve também inquérito criminal, sob acusação de estelionato, para investigar as evidências de possíveis remunerações indevidas a cartolas do Corinthians, porém, o promotor José Carlos Blat, que é conselheiro do clube, decidiu pelo arquivamento.
Rosenberg foi defendido pelo advogado Sérgio Alvarenga, ex-diretor jurídico de Andres Sanches.




