
O Corinthians desistiu de contratar o marginal Rodrigo Santana, que seria incorporado ao caríssimo departamento de futebol do clube no cargo de auxiliar técnico do treinador Fernando Lázaro.
Santana, à margem da Lei, participava de atos golpistas e divulgava ‘fake-news’ em redes sociais.
Nada disso era desconhecido da diretoria do Timão.
Ainda que Santana fosse estranho ao clube, é improvável que os responsáveis pela sua contratação não pesquisassem seu comportamento em redes sociais.
Praxe até nas empresas mais modestas.
A desistência ocorreu única e exclusivamente por pressão de patrocinadores que, fomentados pelas redes sociais, enquadraram os cartolas alvinegros.
Antes disso, questionados pela mídia sobre as postagens de Rodrigo, o clube respondeu “não comentar sobre assuntos de cunho pessoal de seus colaboradores, o que inclui opiniões políticas”.
Ou seja, não havia intenção de demissão, porque o profissional já era tratado como ‘colaborador’, muito menos incomodo com as postagens.
Ao igualar ações antidemocráticas com ‘opiniões políticas’ a diretoria alvinegra demonstrou como trata este tipo de assunto internamente.
80% do Conselho Deliberativo do Corinthians, boa parte dos cartolas, entre os quais o bicheiro que comanda as categorias de base, são bolsonaristas e apoiam as manifestações golpistas.
O contraventor Jaça tem em suas redes postagens idênticas, se não mais graves, do que as de Rodrigo, mas segue prestigiado.
Edgard Soares, conselheiro que circula nos gabinetes de Parque São Jorge, é dono de produtoras que receberam milhões do Governo e estão sendo investigadas pela criação e propagação de ‘fake-news’.
Nesse contexto, é fácil perceber que o desligamento de Santana, anunciado e protegido pelo clube, horas antes, se deu pelo medo de afrontar patrocinadores, pela hipocrisia da cartolagem e, ao final, ‘esperteza’, diante de uma nota oficial que fala em ‘comum acordo’ entre clube e profissional, incapaz de mencionar a contrariedade do alvinegro contra qualquer atentado ao Estado de Direito, como deveria e provavelmente ocorreria se o lema ‘Democracia Corinthiana’, do presente, não fosse apenas usurpação de marketing de um histórico movimento do passado.