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A coragem de Simone Biles

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Mito da ginástica e também das Olimpíadas, Simone Biles surpreendeu a muitos ao demonstrar, em Tóquio 2020, que é humana.

Tratada como máquina pelo sistema que lhe impõe ‘a pressão do Mundo’ em suas costas, a americana repensou, antes de explodir.

Há de se ter muita coragem para admitir, publicamente, com o tamanho público que possui, medos e angústias que, em regra, são tratados pelos insensíveis como covardia.

A complexa mente do ser-humano funciona de maneira distinta para cada indivíduo.

Biles atingiu o Olimpo com apenas 19 anos e, desde então, é cobrada por isso.

Hoje tem 24.

Era nítido, em seu olhar, o desespero em igualar, ou superar, o desempenho notável da Olimpíada anterior.

Qualquer resultado abaixo disso, ainda que fosse apenas uma medalha a menos, seria tratado por muitos como se fosse ‘decadência’ ou ‘fracasso’.

Tenho certeza que Usain Bolt e Michael Phelps passaram por isso.

Venceram, mas, certamente, sofreram.

Nós, fãs desses seres extraordinários, na cômoda condição de expectadores, por vezes, sentimos a pressão – que obviamente é mais amena – de torcer para que não errem e se mantenham livres das críticas e da decepção.

Imagine o que se passa na cabeça deles cada vez que precisam confirmar as expectativas criadas, em grande parte, por quem não tem a menor noção do que, de fato, ocorre no entorno da preparação atlética dos competidores.

Não há como separar físico de psicológico e, nem sempre, ambos estão alinhados.

Tomara não apenas os americanos, mas todos os demais amantes de esporte do Planeta, tão humanos quanto Biles, tenham a empatia necessária para acolhe-la.

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