
Durante a semana, o Ministro do STF Alexandre de Moraes ordenou, em decisão questionável, que o Facebook bloqueasse, internacionalmente, as contas de determinados usuários brasileiros praticantes habituais de ‘fake news’.
Dias antes, com a proibição em nível nacional, os investigados passaram a mascarar a origem das postagens, como se elas ocorressem fora do Brasil, em drible tecnológico para inviabilizar a determinação.
O Facebook bateu o pé, descumpriu a ordem, recorreu, foi multado, mas, pouco tempo depois, sob orientação de seu corpo jurídico, recuou.
Mais do que o alegado medo de prisão, perceberam que o problema poderia atingir, duramente, o faturamento da empresa.
Alexandre de Moraes atirou no que viu, mas acertou no que não viu.
E, o que estava fora do campo de visão do magistrado, mas não dos publicitários e dirigentes da mídia social, poderia se transformar num pesadelo, de proporções financeiras incalculáveis, para determinado grupo de pessoas.
Em seguindo na afronta ao STF, existia a possibilidade do Ministro ampliar o escopo da investigação para uma espécie de comprovação da existência real de usuários por detrás das contas utilizadas na plataforma.
Ou seja, cairiam não apenas as ‘fake-news’, mas também os milhões de perfis falsos que infernizam a internet.
Mas não só eles.
Haveria, por consequência dessa possível operação, um efeito dominó no mercado publicitário, na arrecadação do Facebook e também nas principais Bolsas internacionais.
Os valores da publicidade em torno desse negócio são mensurados, primordialmente, pelo número de usuários ativos na plataforma.
Com a descoberta do ‘doping’, todos perderiam movimentações diárias de milhões de dólares da noite para o dia.
Também os acionistas veriam seu patrimônio reduzido, substancialmente, em questão de horas.
É obvio que o Facebook, sem a necessidade de motivação judicial, possui meios de checagem que poderiam dar fim, com mais celeridade, aos perfis fakes do que às notícias falsas, que necessitam de análise mais profunda.
Somente não o faz porque, financeiramente, para a empresa é interessante manter as coisas como estão.