
André Negão, diretor administrativo do Corinthians, ao participar de live comandada por torcedores, defendeu que os mais pobres, aqueles que não conseguem comprar produtos do clube, não são corinthianos:
“Você é sócio do clube? Você é sócio torcedor? Você tem o cartão BMG? Então não posso te responder nada… você não tem nenhum relacionamento com o Corinthians… você não é corinthiano”
Diante da repercussão negativa que viralizou nas redes sociais, horas depois, Negão postou pedido de desculpas:
“Numa live na quinta, o que eu disse deu margem a uma interpretação infeliz”
“Corinthiano é corinthiano. Se o cara dá o SANGUE e a VOZ pelo Corinthians, não tem discussão”
“Peço desculpas a todos de coração. O corinthiano não foge e eu conheço o amor de vocês”
Era tarde.
Mais do que um pensamento de André Negão, o comportamento elitista é marca da gestão que infelicita o Corinthians há mais de uma década.
Os jogos do Timão, num estádio construído acima de suas possibilidades financeiras, com ingressos vendidos a preços proibitivos, afastaram os frequentadores dos tempos de Pacaembu, retirando da periferia o assento agora ocupado – quando ocupado – pela classe média.
Na própria vida pessoal dos dirigentes é possível observar esse tipo de comportamento.
O Villa Mix, casa noturna da qual Andres Sanches, até pouco tempo, era sócio oculto, barrava a entrada de pobres, pretos e pessoas consideradas de ‘má-aparência’.
Negão, que viveu uma vida inteira dos suados recursos daqueles que sonhavam em ganhar a ‘sorte grande’ em jogatinas da região do modesto Parque Novo Mundo e faz política, há anos, nas regiões mais pobres de São Paulo, pisou na bola, porque tem obrigação de compreender a histórica relação entre o Corinthians e os menos favorecidos.
Talvez esteja impregnado pela soberba que atinge os ‘novos ricos’, principalmente os que mudam de vida do dia para a noite.