
A Câmara aprovou, recentemente, um conjunto de alterações na Lei Pelé que, se referendadas por Senado e, posteriormente, pelo Presidente da República, servirá de salvação para os cartolas corruptos do futebol.
Destacamos, em caráter de urgência, a desobrigação de apresentar contas e levá-las à votação até, no mínimo, seis meses após o término declarado da pandemia (que pode durar anos) e, de maneira permanente, a impossibilidade de afastamento dos cartolas responsáveis por eventual balanço financeiro reprovado.
O intuíto era beneficar toda a cartolagem, mas o texto parece escrito para salvar, especificamente, o pescoço de Andres Sanches, presidente do Corinthians, da degola.
A presidência do Conselho Deliberativo alvinegro, assim como a do CORI, ambas aliadas da gestão, fizeram o possível para que, até o presente momento, as contas do clube não fossem levadas à julgamento.
Mas ainda há tempo para fazê-lo.
Apesar de aprovado na Câmara, o Projeto de Lei, conforme o próprio nome revela, é apenas um ‘projeto’ e não tem poder, ainda, de alterar o que está em vigência.
Urge, portanto, até porque observa-se em Brasília uma corrida para referendar a imoralidade, a marcação da reunião de análise das contas do Corinthians à tempo de, se for o caso – e tudo indica que seja – punir eventuais infratores.
O Conselho Deliberativo não pode cruzar os braços diante dessa necessidade.
Em se mantendo inerte, o órgão enviará diversos recados, entre os quais o de que o grupo do empresário Paulo Garcia, a quem o presidente do órgão costuma atender, necessita dessa ‘pizza’ para objetivos políticos alheios ao bem estar do Corinthians.