
Repercute, desde ontem, o pedido da CAIXA para que a Justiça decrete a falência da construtora Odebrecht.
O banco exige, ainda, que sejam designados administradores independentes para as empresas do grupo.
Há duas semanas, José Carlos Grubisich, ex-executivo da Odebrecht, acusou-a de praticar, deliberadamente, fraudes à execução, utilizando-se, para tal, de documentos fajutos da famosa BRASKEM, controlada pela construtora.
O leitor questionará: o que o Corinthians tem a ver com tudo isso ?
Explicaremos.
Uma das empresas inseridas na recuperação judicial solicitada pela construtora é a OPI (Odebrecht Participações e Investimentos), integrante do Arena Fundo, gestor das finanças do estádio de Itaquera, que, se acatado o pedido de falência, passaria a ser gerida, provavelmente, pela CAIXA (ou sob sua influência).
O banco cobra, além dos mais de R$ 500 milhões da Arena Itaquera S/A, por conta de calotes nas parcelas de financiamento do BNDES, outros, aproximados, R$ 400 milhões da OPI (sem contar juros), conseguidos em forma de empréstimos, debentures e demais operações financeiras, todas no contexto da construção do estádio alvinegro.
Todo esse dinheiro, por indicações contratuais, tem como efetivo pagador o Corinthians, beneficiário final do negócio.
A tal quitação da dívida do clube com a Odebrecht, mentida pelo presidente Andres Sanches ao dizer que o repasse de CIDs teria resolvido a questão, depois, revelado pelo próprio, que faltariam “apenas” R$ 160 milhões, somente chegaria a esse fantasioso valor se houvesse, de cara, a aceitação da redução pelos credores, no âmbito da recuperação judicial.
Em não havendo – o pedido de falência, impetrado pela CAIXA, comprova que dificilmente existirá – a pendência, com as devidas correções, poderá atingir, no mínimo, o dobro do valor principal, algo em torno de R$ 800 milhões.
A conta, reiteramos, apesar de administrada por terceiros, é de responsabilidade do Corinthians.
É reclamado pela CAIXA, também, a estranha ausência da BRASKEM entre as empresas selecionadas pela Odebrecht em seu pedido de recuperação.
Ao observar as acusações, formais, de ex-executivo da construtora, dando conta de fraudes ligadas à referida subsidiária e o envolvimento, revelado pelo Blog do Paulinho, confirmado em depoimento à PF por Marcelo Odebrecht, de que a empresa mantinha, desde muito antes, relações comerciais com Andres Sanches, presidente do Corinthians, a quem estaria, suspeita-se, pagando vantagens indevidas, não é difícil imaginar as motivações.
Marcelo Odebrecht confirma ligação de Andres Sanches com a BRASKEM, subordinada à Odebrecht