
No dia 26 de junho de 2018, após o Corinthians conquistar a Liga Ouro de Basquete, o capitão Gustavinho, no momento de receber o troféu, vestiu uma camisa do clube com os dizeres: ‘Quem Matou Marielle?”
Tratava-se, evidentemente, de um protesto contra o assassinato covarde da ex-vereadora carioca Marielle Franco, praticado por milicianos.
De maneira correta, o Timão, segundo soubemos, por decisão da vice-presidente, Edna Murad, decidiu imortalizar a indumentária, inserindo-a no Memorial de Conquistas alvinegras, aberto à visitação pública.

Não é a primeira vez que o Corinthians age dessa maneira.
No mesmo local, estão expostas camisas do período da ”Democracia Corinthiana’, movimento político que, até os dias atuais, é lembrado pela luta contra a ditadura que assolava o país.
Murad foi a única, entre os mais relevantes nomes da diretoria alvinegra, a não apoiar o descalabro Jair Bolsonaro.
Ontem, pelo facebook, mas também em grupos de conselheiros do Corinthians, no whatsapp, as reações à homenagem a Marielle foram as mais lamentáveis possíveis.
Roberto Willian Miguel, líder do grupo denominado ‘Lava-Jato’, que apoiou gente como Tuma Junior à presidência alvinegra, disse:
“Vagabunda ,traficante,teve o que mereceu”
Na mesma postagem, foi rebatido pelos mais esclarecidos, que trataram-no como fascista.
Dr. Haroldo Dantas, Bolsonarista convicto, emendou:
“(…) quem fez isso fez pensando institucionalmente… Não se engane… O problema é que não foi pensando na instituição Corinthians… Mas na instituição criminosa PT… Precisamos mudar isso!!!”
Flávio Ferrari, ex-diretor de Roberto Andrade, um dos que aproveitou-se do clube para sobreviver, também comentou:
“Absurdooo!!! Quem permitiu isso?”
O associado alvinegro Wanderley Ferreira, no ápice da ignorância, até palavrão soltou:
“Avise aos petistas de plantão que o Corinthians merece e exige respeito”
“E quem matou a Marielle foi a puta que pariu”
Conselheiro Fiscal do Corinthians, Marcos Caldeirinha falou até em abrir sindicância, procedimento este que nunca teve coragem de tomar ao analisar, por exemplo, as complicadas contas de Andres Sanches:
“Ridículo, misturar o manto sagrado com a política barata do PSOL”
“Por mim abro uma Sindicância para explicações e retirada imediata desta comunicação”
“Vai ser comunista longe do Timão”
Alguns tentaram fazer o contraponto, mas logo perceberam que a luta contra a ignorância convicta e até o oportunismo de alguns, era causa perdida.
No Corinthians, esse tipo de comportamento prevalece.
Não à toa, grupos de malfeitores seguem no poder do Timão há mais de uma década, seja pelos atos notórios de sacanagens, mas também porque a alternativa revela-se pouco promissora.
Raras são as boas cabeças, as mentes arejadas que circulam no Parque São Jorge, ainda assim quase todas tratadas como ‘Ets’ num convívio predominantemente ignorante.