Ícone do site

Delinquentes esportivos são protegidos no Brasil

Anúncios

Ontem (18), a França testemunhou a prisão de Michel Platini, sob acusação de corrupção no exercício de seu mandato como presidente do UEFA.

O ex-jogador teria sido cooptado para facilitar a escolha do Catar como sede da próxima Copa do Mundo.

Em paralelo, se o procedimento houvesse ocorrido no Brasil, seria o mesmo que as autoridades decretassem a prisão de Pelé (a comparação se dá pela fama, não pelas atitudes).

Mas, diferentemente doutros lugares do planeta, por aqui esportistas e cartolas parece possuir salvo-conduto para delinquir.

As únicas punições a brasileiros notórios do esporte ocorreram no exterior.

Desde cartolas, como José Maria Marin, passando por lobistas, como J.Hawilla, até jogadores, como o sonegador Neymar e o condenado por estupro, Robinho.

A imprensa brasileira (não os que sobrevivem do ‘oba-oba’) ao longo dos anos tem revelado extenso material comprobatório, ou, ao menos, indícios relevantes, de crimes e desvios de conduta nos bastidores do esporte.

Muitos destes documentos foram protocolados no MPF, nos MPs estaduais e também nas delegacias de policia locais.

Não se tem notícia sequer do andamento de procedimentos investigatórios, quanto mais de acusações ou prisões de envolvidos.

A resposta para a aparente operação tácita de ‘abafa’ pode ser resumida numa única palavra: promiscuidade.

No Brasil, promotores, juizes, desembargadores, delegados, PMs e demais autoridades aceitam cargos de chefia, nos conselhos e nas diretorias de clubes, federações e confederações, justamente os locais que seus investigados – que lhes fornecem as ocupações – infelicitam.

Como esperar independência ?

No Corinthians, um desembargador de justiça, que chegou a ser vice do TJ-SP e concorreu à presidência do órgão, recentemente (ou seja, possui grande poder de atuação no judiciário), não se constrange em ser flagrado, no horário de serviço, em voos – inclusive fora do país, que levam jogadores do clube, dividindo mesas de restaurantes e quartos de hotel com gente acusada pelos mais diversos crimes (dirigentes alvinegros), nem em manter filho empregado na agremiação.

Noutro caso, juiz ligado ao Atlético/PR ordenou prisão preventiva de jornalista que ousou criticar o presidente do clube, somete revertida no STJ.

Há também o episódio da procuradora do STJD que aliou-se ao presidente, de fato, da CBF, para golpear a Federação Paraibana e nela assumir o poder.

E os promotores ?

Quantas vezes o MP-SP e o MPF, algumas por conta deste jornalista, foram motivados e receberam farto material comprobatório, indicando crimes cometidos por dirigentes de Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, etc.

Até no Rio de Janeiro, há alguns anos, o Blog do Paulinho foi chamado a depor e expor provas contra irregularidades cometidas pelo então presidente do Vasco da Gama.

Das delegacias de policia não se pode esperar grande coisa – e elas, de fato, não ocorreram, impregnadas que estão da cultura do “toma-lá-dá-cá”, em que os que podem mais, nem choram menos, mas, na realidade, nunca choram.

Tudo, em todos os setores (policial, MPs e judiciário), morreu antes mesmo de ter nascido.

São dezenas, se não centenas, de exemplos semelhantes no submundo esportivo brasileiro.

No mais recente exemplo de falta de interesse em investigar a cartolagem, o desmoralizado Ministro da Justiça, Sérgio Moro, recebeu das mãos de conselheiros dos principais clubes de São Paulo – opositores aos que estão no poder, pedido de instauração de uma ‘Operação Lava-Bola’, que preferiu repassar à morte certa nas delegacias paulistanas.

Talvez se fosse “leva-bola” o destino seria diferente.

Mas o que esperar de Moro se o patrão, presidente Bolsonaro, acolhe no Palácio do Planalto sonegadores notórios como Neymar (pai e filho) e Ronaldinho Gaúcho, além de afagar-se, publicamente, com espertalhões do calibre de Rogério Caboclo, presidente da Casa Bandida do Futebol, que, comenta-se, é apenas teleguiado de Marco Polo Del Nero, aquele que não pode cruzar a Ponte da Amizade sob risco de prisão ?

Enquanto o Brasil não mudar essa cultura promiscua de proximidades indevidas e, em alguns casos, indecentes, de ‘homens da lei’ com a cartolagem e demais delinquentes esportivos seguiremos assistindo apenas pela TV procedimentos judiciais relevantes.

Facebook Comments
Sair da versão mobile