
Ontem, em seus dois discursos de posse como Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro entregou à população exatamente o que dele se esperava (admiradores e oposicionistas): palavras dissonantes, preconceituosas e autoritárias.
Falou em respeitar religiões, mas deixou claro que somente se seguirem as tradições “judaico-cristãs”.
Esbravejou contra o que tratou, em diversos momentos, como “ideologias” a serem combatidas, desde que sejam as de opositores ou simplesmente dos que, democraticamente, possuem direito (não se sabe, no Brasil, até quando) de pensar diferente do raciocínio inserido nas limitações intelectuais do novo Chefe de Estado e demais apoiadores (principalmente os que possuem interesse comercial em difundir preceitos de suas ‘religiões”).
Pouco se falou de soluções práticas para o país, com Bolsonaro preferindo, genericamente, discursar para a “claque”, que aplaudia e urrava “mito” a cada demonstração de intolerância e populismo.
Enquanto, no Congresso, o novo presidente buscou a aproximação (em discurso politicamente preparado), no púlpito, em que falou de acordo com seu raciocínio, preferiu insuflar o “nós contra eles”, a necessidade de combater o contraditório, de tratar como inimigos, não adversários, os que ousarem, segundo seus preceitos (e preconceitos) atentar contra os interesses “da família”, estes indicados pelas doutrinas de notórios estelionatários da fé que bancaram-no em apoio durante a campanha.
A esperta Primeira Dama, antes da fala do marido, soube desviar as atenções para a emotividade – ainda assim com ideias alinhadas à intolerância do novo grupo gestor nacional – desarmando parte da mídia, que trocou o senso crítico (deste momento) pela adesão à comoção.
Entre beijos no Presidente, sorrisos e afagos à população, subliminarmente o apoio aos preconceitos foi reafirmado.
Qualquer semelhança com procedimentos de seitas tratadas como religiosas – da qual Michele Bolsonaro é adepta (em que antes de tomar a grana dos “fiéis” os “pastores” arrancam-lhes as lágrimas) pode não ser mera coincidência.
Iniciou-se assim o Governo de Jair Bolsonaro, amparado na idolatria de um povo que insiste em não enxergar detalhes indicadores das confusões que estão por vir, entre os quais: delitos de um motorista/assessor que abastecia as contas da “família Real” quando em tempos de vacas magras, doações da JBS, tratadas como propinas em todas as investigações da “Lava-Jato”, mas amenizadas quando na conta do atual Presidente, além do Chefe da Casa Civil, corrupto confesso, mas não condenado porque “se desculpou”, sem contar os trambiques notórios – na vida profissional – daquele que tem por função colocar o País, financeiramente, nos trilhos.
Resta saber se o “trem” seguirá na linha do alardeado crescimento ou seus vagões levarão opositores ao castigo da câmara de gás.