
Carregando, não apenas a esperança daqueles que, mesmo contrários ao PT, apoiaram-no a favor da luta pela democracia, mas também a herança maldita de corruptos notórios de seu partido, o professor Fernando Haddad comportou-se com absoluta dignidade durante o período eleitoral.
Errou porém, em não admitir, explicitamente, erros de seus “companheiros”, e em não cumprimentar o adversário, apesar de tudo, pela vitória (corrigido, hoje, em mensagem dirigida a Bolsonaro pelo twitter).
Ainda assim, 45% dos eleitores brasileiros deram-lhe inestimável voto de confiança, que precisa ser respeitado.
Haddad, identificado nacionalmente, desde ontem, como relevante liderança de esquerda, precisa repensar sua filiação partidária, assim como avaliar o grupo em torno si, para dar sequência ao objetivo de melhorar o país sem sucumbir às tentações que afundaram o PT num mar de lama e vergonha.
Não é possível permanecer ao lado de reprováveis, como Gleisi Hoffmann, que, enciumada por não ter sido escolhida para a disputa, trabalhou como “cavalo de tróia” da campanha, além de José Dirceu e outros mais, traidores da confiança popular, todos sob pretexto da governabilidade, mas embolsadores de vantagens indecorosas.
Fernando Haddad com o capital político adquirido nas eleições, aliado ao comportamento de abertura ao diálogo com representantes de pensamentos distintos, além da coragem de posicionar-se, no discurso final, em oposição ao que representa, socialmente, o novo Governo, precisa caminhar com as próprias pernas, descolando-se de Lula, sem perder o compromisso de estar ao lado dos interesses da população.