
Exaltamos, ontem, raro gesto de decência no mundo do futebol, protagonizado por Raí, novo diretor de futebol do São Paulo, que, mesmo diante da rescisão, por vias judiciais, do jogador Scarpa – confirmada no BID da CBF – recusou-se a dar uma rasteira no Fluminense e sentará com os dirigentes cariocas para negociar.
Horas depois, antes do jogo entre Rangers e Corinthians, pela Flórida Cup, o presidente alvinegro Roberto Andrade deu mostras de como, em regra, as coisas funcionam.
Em entrevista à BAND, confirmou o que já havia declarado a outros veículos: “o Corinthians não negocia mais com o Fluminense, está fora… a contratação do Henrique Dourado está descartada”.
Porém, nos bastidores, seu diretor jurídico, Luis Alberto Bussab, o entregava, em conversas abertas com dirigentes, que repassaram-nas ao Blog do Paulinho:
“O negócio agora está do jeito que a gente queria… fomentamos a discórdia, o Henrique Dourado rompeu com o Fluminense e nós vamos negociar diretamente com seu empresário”
Evidencia-se não apenas o DNA de vendedor de carros do presidente alvinegro, como também a preferência por acertos de difícil apuração com agentes de jogadores, neste caso Meer Kaufmann, do grupo “A Liga”, composto por dirigentes ligados ao Internacional/RS e também à Franck Henouda, retratado desairosamente em publicações europeias como participe de esquemas nebulosos para ocultar dinheiro sujo do futebol.
Sem contar, tema de comparação desta notinha, a diferença de comportamento de um mandatário ligado a grupo que tem “transparência” no nome, com o exemplo de Raí, coincidentemente ambos os casos tendo o Fluminense como coadjuvante.