
“Nós recebíamos ordens da diretoria e dos donos em relação a esse perfil que tinha que seguir como pessoas malvestidas, negras e que aparentavam ter baixo poder aquisitivo”
(Ex-funcionária, negra, do VILA MIX, que será indenizada por Danos Morais pela casa após decisão judicial)
Durante a semana, a balada “Vila Mix”, de propriedade do deputado federal Andres Sanches. (apesar de registrada em nome de terceiros), foi condenada a pagar R$ 60 mil a uma ex-funcionária, negra, que era obrigada a selecionar, por critérios racistas, os frequentadores do local.
Em trecho do processo, a vítima esclarece:
“Nós recebíamos ordens da diretoria e dos donos em relação a esse perfil que tinha que seguir como pessoas malvestidas, negras e que aparentavam ter baixo poder aquisitivo”
Disse também:
“Quando uma pessoa estava registrada na lista de entrada e se apresentava na porta do estabelecimento, ao ser constatada que era negra dizíamos que o nome não constava na relação”
Na sentença do juíz Antonio José Fatia, da 21.ª Vara do Trabalho da Capital, p seguinte trecho merece destaque:
“Suas ordens (do Villa Mix) eram para autorizar somente pessoas que se enquadravam no perfil autorizado pela empresa, excluindo os negros. Mesmo quando havia reserva, se a pessoa fosse de raça negra, não era autorizada a entrar, havendo imediata exclusão na lista de reservas. A empresa exercia rígida fiscalização quanto a isso, ressalvadas celebridades.”
Diante das diversas imoralidades que cercam a vida de Andres Sanches, a prática da discriminação por racismo, levando-se em consideração a submissão de seu chefe de gabinete, André Negão, que, segundo a Polícia Federal, chegou a arriscar o próprio pescoço para receber, pelo amigo, valores em propinas pagos pela Odebrecht, é, certamente, das mais lamentáveis.
Será que se o vice-presidente do Corinthians chegasse ao Villa Mix, sem estar ao lado do proprietário, sendo recebido por garotas “treinadas” com as mesmas ordens de quem acaba de vencer o Villa Mix na Justiça, e que, talvez, não o reconhecessem do mundo do futebol, seria barrado na entrada ?
Não é a primeira reclamação contra a balada de Andres Sanches com o mesmo teor de discriminação, demonstrando que não se trata de obra do acaso, mas de política de segregação, passível de medidas mais graves, sobrepondo-se a questões trabalhista e cíveis, que deveriam ser objeto de investigação criminal pelos órgão competentes.