“(Alexandrino Alencar) era um amigão do peito, quase parente. Nos conhecemos desde os tempos em que ele foi diretor da empresa OPP, que, após uma fusão, deu origem à Braskem, de quem a Sol sempre foi uma das principais clientes na compra de matérias-primas.”
(ANDRES SANCHES – Livro “O Mais Louco do Bando”)
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Preso pela “Operação Lava-Jato” da Polícia Federal, acusado, entre diversas práticas criminosas, de pagar propina no valor de R$ 5 milhões anuais, em nome da ODEBRECHT/BRASKEM, para o Diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa (também encarcerado), o executivo Alexandrino Alencar era o verdadeiro responsável por gerir todos os negócios do “Fielzão”, em Itaquera.
O ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches, levava a fama (para objetivos políticos), e, segundo informações, dividia os “lucros”.
Alencar fechava todos os contratos, discutia preços, acertava de que maneira, e a quem pagar, além doutros pormenores.
Começam a ficar mais claras as razões, até então obscuras, que levaram a ODEBRECHT a construir um estádio de R$ 1,2 bilhão, colocando dinheiro na frente, sem que houvesse nenhuma engenharia financeira, crível, que pudesse sustentar a operação.
Vale lembrar que o orçamento inicial da obra, aprovado em Conselho pelo Corinthians, era de R$ 350 milhões, passando depois a R$ 500 milhões, R$ 700 milhões, R$ 820 milhões, até atingir os valores atuais.
Alencar, graduado na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e em Química pela PUC do Rio Grande do Sul, foi gestor de diversas empresas importantes na área de Petroquímica, como a OPP (que depois virou Braskem), a Poliolefinas, a PRONOR, antes de chegar à Diretoria da Odebrecht.
Porém, mais do que pela capacidade executiva, Alexandrino ficou conhecido pela facilidade em conseguir acordos com métodos à margem das Leis, recebendo o apelido, entre seus parceiros, de “Homem da Mala Verde”, principalmente nos negócios da Odebrecht com a Petrobrás.
Agora, com o aprofundamento das investigações pela Polícia Federal, o diretor da construtora pode ganhar outro apelido, talvez “piloto de avião”, já que, no Corinthians, as contas do estádio, nunca apresentadas, sempre foram tratadas pela alcunha de “caixa preta”.
AS RELAÇÕES DE ALEXANDRINO ALENCAR COM FAMILIARES DE ANDRES SANCHES
Na foto, logo no início da matéria (bem acima), Alexandrino conversa com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, ao lado do então mandatário do Corinthians, Andres Sanches, minutos antes da assinatura do contrato de construção do estádio em Itaquera.
A relação entre eles, porém, iniciou-se, muitos anos atrás.
Em trechos do livro “O Mais Louco do Bando”, Sanches trata Alexandrino Alencar com absoluta reverência:
“(Alexandrino Alencar) era um amigão do peito, quase parente. Nos conhecemos desde os tempos em que ele foi diretor da empresa OPP, que, após uma fusão, deu origem à Braskem, de quem a Sol sempre foi uma das principais clientes na compra de matérias-primas.”
“Alexandrino pediu que fosse até seu escritorio, no Eldorado Business Tower, em São Paulo: tinha algo a dizer que podia ser de interesse para o Corinthians, mas não poderia falar ao telefone. Horas depois eu já estava no bairro de Pinheiros. O escritório de Alexandrino ficava no 32º andar da torre, com vista para a marginal Pinheiros.”
“Com seu usual tom ameno, amistoso, Alexandrino contou de uma viagem que tinha feito a Brasília, acompanhando Emilio Odebrecht, presidente do conselho de administração da empresa. Na reunião, a construtora tratava com o presidente Lula de assuntos do setor petroquímico. À saída, Lula, despedindo-se de Odebrecht e Alexandrino, mudou de assunto:
– Bem que vocês podiam dar uma mão pra esse garoto, presidente do Corinthians, ajudando a fazer o estádio, hein?”
“Alexandrino devolveu: era meu amigo pessoal de muitos anos. Odebrecht pegou carona: – Presidente, pode deixar que vamos tratar esse assunto com muito carinho. Se for viável, com certeza vamos ajudar.”
“Ao terminar sua exposição, Alexandrino me piscou o olho: – Tá vendo? Até eu, que sou carioca e torcedor do Fluminense, quero ver o Corinthians com um estádio. E aí, como fica? Topa o desafio?”
“Ainda meio zonzo, eu revelei ao meu amigo que o clube tinha mais de um projeto em estudo. Quem sabe? Saí dali com mais pressa do que entrei: o “sonho da casa própria” até que não parecia tão irreal assim.”
Em verdade, Alexandrino Alencar, responsável pela BRASKEM S/A, era próximo, de fato, do primo de Andres, o empresário José Sanchez Oller, verdadeiro dono da “Sol Embalagens”, localizada em Camaçari/BA.
As empresas mantinham relação, ao menos, desde 2003, conforme comprova o link a seguir:
http://geein.fclar.unesp.br/jornais_det.php?codigo=7157
Ambas chegaram até a manter sociedade na fabricação e distribuição de um novo tipo de embalagens plásticas, no ano de 2009, relata o site da própria Braskem, que cita a Sol até em seu “Relatório de Sustentabilidade”:
Clique para acessar o capitulo_7.pdf
Observando a composição social da Braskem S/A, notamos que, além de Alexandrino Alencar ser o executivo principal (conforme o próprio Andres Sanches descreve em seu livro), consta o nome de Marcelo Bahia Odebrecht na condição de “conselheiro de administração”.
Ou seja, de alguma maneira, os principais nomes envolvidos na construção do estádio de Itaquera, direta ou indiretamente, mantinham relações antes mesmo que imaginassem ser possível a sacramentação do negócio.
Dificilmente esse tipo de situação, ainda mais num negócio bilionário, ocorre por obra do acaso.
ALEXANDRINO ALENCAR E LULA, O “BRAHMA”
Assim que Lula chegou ao poder, José Sanches Oller, que era de fato próximo do então Presidente da República (Andres somente foi notado após se tornar mandatário do Corinthians), estreitou as relações do Chefe de Estado com Alexandrino Alencar, relação esta que rendeu muito dinheiro à ODEBRECHT, mas deixou outros mais milionários (conforme vem comprovando a “Lava-Jato”).
Esta proximidade, evidentemente, por todas as razões conhecidas, e também a serem levantadas, tornaram-se fundamentais para que todos estivessem envolvidos na viabilização da cidade de São Paulo como sede da abertura da Copa do Mundo, abrindo espaço para as obras de um novo estádio na cidade.
A amizade perdurou, também, fora do período de “poder oficial”, durante a gestão Dilma Rousseff.
Em 2011, Alencar conseguiu que a Odebrecht bancasse viagem de Lula (tratado como “BRAHMA” – nº 1 – pela empresa) à África, como representante oficial do Governo em missão na Guiné Equatorial.
Antes, durante e depois deste período, a construtora assumiu as obras mais importantes (e lucrativas), como a base nuclear no Rio de Janeiro, a Usina do Rio Madeira e as diversas plataformas de petróleo da Petrobras.
Outra viagem de seis dias, de Lula, novamente à Africa, foram acertadas por Alexandrino, e bancadas por diversas construtoras, em que o ex-presidente recebeu alta remuneração para a realização de duas palestras.
De 2011, até os dias atuais, Lula visitou 30 países, sendo 20 na região africana, treze destas viagens comprovadamente bancadas pelas empresas de construção.
